O curta Solitário Anônimo conta a impressionante história de um homem que revindicava o seu direito de morrer em paz. Ele planejou sua morte, transformou o processo de morrer em um experimento pessoal de controle do próprio corpo. Durante 58 dias não comeu, em um ato que simularia a morte natural. "Todos deixamos de comer antes da morte. Isso pode durar um ou cem dias", sustenta o personagem anônimo do filme.
O enredo do final de sua vida foi meticulosamente planejado. Um disciplinamento prolongado do corpo para a fome durante meses para, na fase final, a abstinência total de alimentos e nos últimos dias somente doses homeopáticas de água. A simulação da morte natural exigiu ainda a quebra dos vínculos familiares e afetivos, pois "somente um homem sem vínculos, sem nome ou biografia pode planejar a própria morte", dizia ele.
Uma decisão judicial à sua revelia ordenou que fosse alimentado e medicado à força: "O plano de morrer de fome tinha dois sentidos em sua vida: um projeto pessoal de simular a morte natural, pois no fim da vida paramos de comer, e uma racionalidade jurídica, pois obrigá-lo a comer contra sua vontade pode ser interpretado como um ato violento do Estado", pondera Debora Diniz, diretora do filme.
Sem documentos, posses ou vínculos, o idoso de 78 anos se transforma no Solitário Anônimo. O filme acompanha sua história do momento em que foi encontrado deitado na grama à espera da morte até a descoberta de sua identidade. O fracasso de seu plano de morte foi seguido pelas lentes da câmera que o acompanha ininterruptamente por hospitais, investigações policiais e assédio da imprensa.
Gente que filme triste....a que ponto chega o ser humano, por que? para que?
hcarvalhosicsu 1 year ago