Feitio de oração (Noel Rosa e Vadico) Rui de Carvalho - 99 anos da praça Saens Peña

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Uploaded by on Dec 20, 2010

Rui de Carvalho e Samba na Cabeça nos 99 anos da Praça Saens Peña. No ano do centenário do poeta da Vila.

O ano de 1910 é emblemático por três acontecimentos marcantes. O primeiro foi a passagem pelos céus do cometa de Halley, episódio entendido por muitos como o prenúncio do fim do mundo.
O segundo: revoltados com os soldos miseráveis e com os castigos corporais humilhantes que recebiam, os marinheiros, liderados por João Cândido, o Almirante Negro, revoltam-se e ameaçam atacar o Rio de Janeiro, caso suas reivindicações de mudanças no código de disciplina da Marinha não fossem atendidas. A repressão ao movimento foi vigorosa e a cidade virou uma praça de guerra. Os líderes do movimento foram presos, outros foram expulsos da corporação, mas os maus tratos terminaram com a extinção da chibata.

O terceiro acontecimento é o que mais nos interessa neste artigo. No dia 11 de dezembro daquele ano, nasceu, prematuro, na rua Teodoro da Silva, nº 30, em Vila Isabel, Noel de Medeiros Rosa, filho de Manoel Garcia de Medeiros Rosa e Martha de Medeiros Rosa. O nome escolhido pelo pai vinha da certeza de que o menino nasceria no dia de Natal, mas o bebê, chegou antes do previsto. O parto, feito a fórceps, deixou-o com um defeito no queixo, que se supunha passageiro, mas que o marcou indelevelmente por toda a sua curta vida, apesar das duas cirurgias reparadoras pelas quais passou e que de pouco adiantaram.

Seu gosto pela música manifestou-se logo. Seu pai tocava violão nas festas e sua mãe, bandolim, instrumento pelo qual Noel se interessou inicialmente e, no qual, incentivado por ela, tornou-se exímio instrumentista. Mas Noel não queria apenas executar as músicas dos outros. Intimamente, sabia que tinha muito a dizer e que precisava de um veículo mais completo para expressar o que sentia sobre a vida, o mundo, o amor e os costumes de sua época. Por isso, na adolescência, abraçou, literal e metaforicamente, o violão, com o qual matava as saudades do pai, sempre distante em viagens de negócios, e onde compôs suas músicas imortais.

(Parte do texto de Zé Arnaldo Guima -- Músico, compositor e professor de português e literatura)

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Music

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