Uma resposta a Dâniel Fraga, que disse que o egoísmo é amparado pela razão e não há argumento racional favorecendo o altruísmo.
O livro "O Gene Egoísta" de Richard Dawkins é dedicado a mostrar que a evolução pode explicar o surgimento do altruísmo entre os animais, incluindo os humanos.
Aptidão inclusiva e altruísmo recíproco são as duas teorias internas à teoria moderna da evolução dedicadas a explicar o surgimento do comportamento cooperativo.
Mais detalhes: http://evolucionismo.org/profiles/blogs/casais-gays-e-formigas-a
Sobre o dilema do prisioneiro: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dilema_do_prisioneiro
Documentário completo sobre O Gene Egoísta, 9 anos após o livro: http://evolucionismo.org/profiles/blogs/richard-dawkins-documentario-sobre-o-...
Todo conceito do senso comum está disponível para ser reformado pela atividade científica. Como Dawkins disse na cena que eu usei, "pode ser a coisa real", ou seja, a resolução para o dilema do prisioneiro que a evolução encontrou diversas vezes em espécies sociais, que explica sua abundância e sucesso adaptativo no planeta, pode ser exatamente o que explica o comportamento altruísta humano, da forma como eu o defini - uma decisão de abandono de interesses imediatos (digamos, mais fáceis de prever, que trazem benefício ao agente) em favor dos interesses de outrem medidos tal qual apontam a empatia e a teoria da mente.
Isso divide em duas soluções: uma é filogenética, é aquela que provoca o sentimento de culpa pela não colaboração e de recompensa pela colaboração. Esta é arracional - faz parte de um módulo da mente humana que não vai necessariamente CONTRA a razão, mas é independente dela. A outra, da teoria da mente, pode ser plenamente consciente e racional, afinal é uma solução ótima para o dilema do prisioneiro, à qual uma mente racional e matemática, mesmo a de um psicopata, recorreria por pura análise. E é esta última que refuta terminantemente o Dâniel Fraga. E sim, isso permite a psicopatas manifestar o altruísmo - e não vejo problema algum nisso.
Como Daniel Dennett diz, as soluções da natureza baseadas no simples princípio da menor energia ou da seleção natural muitas vezes coincidem com as soluções racionais para um determinado problema. Por isso a seleção natural e a inventividade humana fizeram asas para solucionar o problema do voo. Da mesma forma, a natureza, os algoritmos e a racionalidade humana encontram na cooperação altruísta uma solução para o problema do egoísmo.
Eu não defini egoísmo de uma forma que o torna inexistente, como insistentemente fazem com o altruísmo pessoas comprometidas com ideologias políticas como o objetivismo de Ayn Rand. Egoísmo é fazer o que favorece o agente individual imediatamente, num contexto em que os interesses de outros agentes são ignorados. Então, o egoísta não é simplesmente um tipo de 'solipsista de prazeres', mas alguém que pode decidir 'racionalmente' (e eu direi que é o que chamamos de 'racionalidade limitada', 'bounded rationality') agir de acordo com seus próprios interesses imediatos ignorando qualquer cenário futuro em que a cooperação de agora pudesse trazer recompensas, principalmente quando as recompensas parecem mais incertas do que o benefício egoísta imediato.
Tomar a definição do dicionário ou do senso comum de "altruísmo" para dizer que altruísmo é um mito é como tomar a definição de "água" baseada em partículas indivisíveis de Dalton, ultrapassada e carente de evidências, e dizer que "água" é um mito. Qualquer conceito do senso comum que tenha poder limitado de previsão em entidades no mundo externo deve passar pelo refinamento teórico e pela tentativa de análise do que exatamente acontece antes de o descartarmos como um mito. O que se espera de qualquer conceito do senso comum é a imprecisão - e jogar fora todo conceito popular sem tentar refinar é jogar fora o bebê com a água do banho.
@elibio87 Exposição brilhante, Eli.
Adoraria ver mais videos seus pelo youtube pois seus pontos de vista são sempre instigantes.
Abraço,
Fabio
antestetico 3 months ago
@antestetico Obrigadíssimo pela gentileza, Fabio.
elibio87 3 months ago
O problema é que você deturpou a definição de altruísmo. O que você chama de altruísmo eu chamaria de egoísmo racional...
Repito, pegue a definição de dicionário do altruísmo: "O altruísmo, é quando uma pessoa abnega de si mesma em prol de outras pessoas" ou então " amor desinteressado ao próximo"...
Não existe nenhuma ação humana "desinteressada".
Então se não partirmos das mesmas definições, é claro que nunca iremos concordar. Dawkins: "altruísmo recíproco" -> "egoísmo racional".
DanielFragaBR 3 months ago
@DanielFragaBR Outro motivo pelo qual não faz sentido chamar altruísmo de egoísmo racional é que nem sempre as pessoas sentem prazer em ajudar. Às vezes elas fazem o bem a alguém apenas para evitar a dor de sentir o que a outra pessoa está sentindo - o que a gente chama de compaixão, e também faz parte da empatia. Um egoísta não ajuda alguém para evitar sentir a dor da pessoa, ele simplesmente evita contato.
elibio87 3 months ago 18
@elibio87 o sociopata não tem capacidade empática. As outras pessoas são apenas meios, recursos, para atingir seus objetivos. O diagnóstico para isso é sociopatia.
Aí, um belo dia, uma mulher que tem histórico típico do quadro escreve um livro que causa identificação entre esses indivíduos que concluem não precisar de terapia mas de mais livros de Ayn Rand. Perfeito.
TheMarcodefreitas 3 months ago
@TheMarcodefreitas Esta é uma boa hipótese sobre Ayn Rand.
elibio87 3 months ago