020 - ÍNDIA 2010 - Imagens de um casamento em Pushkar

Loading...

Sign in or sign up now!
Alert icon
Upgrade to the latest Flash Player for improved playback performance. Upgrade now or more info.
9,979
Loading...
Alert icon
Sign in or sign up now!
Alert icon

Uploaded by on Feb 11, 2010

Fazia já alguns dias que sinais de que alguns casamentos estariam para acontecer eram dados. A partir do telhado de um dos restaurantes que costumo frequentar, observo dia após dia, um palco ser erguido e preparativos montados em uma grande área de relvado privado.
Quando da primeira vez perguntei o que ia ali acontecer, "um casamento" - responderam - "quando?" - perguntei eu - "talvez dia 15"!
Pelas ruas da vila, procissões de mulheres confirmavam as suspeitas. Procurei entre os meus amigos indianos saber se algum deles tinha contacto com os noivos, nenhum tinha. Um era convidado de um casamento a acontecer dia 23, mas para mim já seria demasiado tarde, não me poderia demorar mais por Pushkar.
O dia 15 chegou e quando penso em me infiltrar para sacar umas fotos, "não há casamento!" - dizem-me.
- Então?
- Houve um eclipse, não é um bom dia para se casar, talvez amanhã.
Então mas isto é assim? Vai-se adiando a data até ao dia em que considerem o dia favorável?
Dia 16, não foi. Dia 17 também não. Foi no dia 20!! 5 dias após a data! E porquê? Simplesmente porque o dia 20 era um bom dia para se casar.
Faço algumas questões, do que teria eu que fazer para conseguir entrar na festa e, respondem-me que era fácil, bastava-me lá entrar. Pois entrei!
Ninguém guardava a comprida abertura daquele grande campo relvado com mesas e mesas de comida.
Os convidados dançavam, mas do noivo e da noiva, ainda não havia sinal. A noiva estaria fechada em uma pequena casa naquele local. Já o noivo estaria a caminho em procissão e montado a cavalo, rodeado de festa e banda sonora ao vivo.
Uns 30 minutos após a minha chegada, a banda sonora faz-se ouvir cada vez mais e eis que surge o noivo, rodeado de dança e música e incitado a deixar-se envolver.
Contudo, no seu cavalo, mantém a postura e seriedade.
Entretanto percebi o porquê da falta de alguém a vigiar a entrada. É simples, quem não é convidado, respeita e não entra. Mesmo as castas mais baixas, mesmo os moribundos aos quais falta chapatti no prato e cuja mínima percentagem do desperdício de comida naquele casamento daria para alimentar uma família inteira. Não entram.
Foi algo que fui observando nas minhas anteriores viagens, não existem limites físicos, existem os sociais e esses, bastam, cada um sabe onde é o seu lugar.
No ano passado, em Mumbai, na praia de Chowpatti com os seus bons 5 km de extensão, iniciei a minha caminhada por uma extremidade bastante suja, com um esgoto descoberto onde crianças se banhavam, onde louça e roupa lavavam e onde tendas pela praia eram as suas casas. No percorrer da praia os grupos de pessoas iam-se aparentemente tornando menos pobres, sem qualquer barreira física visível, castas organizavam-se em diferentes áreas da praia, não se misturavam, respeitavam-se.
Após esta breve recordação, compreendi o porquê da falta de controlo na entrada para o sacramento.
Após a chegada do noivo ao altar, é a vez da noiva sair do lugar onde se encontrava e deixar-se revelar.
Esta, não esboçou um sorriso em todo o tempo que eu pude observar a cerimónia. Não era um dia feliz para noiva. Após este dia, passaria a viver com o marido e não voltaria a ver a família por muito tempo. Um marido que não escolheu, uma pessoa que lhe era estranha.
Após a chegada da noiva ao palco, o que se seguiu foi puro aborrecimento - pelo menos 2 horas de fotografias com todos os elementos da família e conhecidos. Não esperei para ver o que se seguiu e deixei aquele lugar.
Para um estrangeiro e desconhecedor da cultura, é fácil cair no erro de deduzir que uma das famílias é rica, dados todos aqueles enfeites e toda a proporcionada festa aos convidados com tudo incluído e uma pomposa entrada de noivo repleto de brilhantes a cavalo.
A realidade é que, regra geral, a família da noiva tem que proporcionar aos convidados a melhor festa. Então, para o casamento ficar escrito na história da vila em como uma das melhores festas, a família da noiva (se pouco afortunada, naturalmente) vende e desfaz-se do que tem, somente para a festa do casamento assim como para o dote de oferta à família do noivo. Muitas famílias trabalham durante anos a pensar na festa do casamento que terão que pagar quando a mulher na família se casar.
Talvez incompreensível para nós, mas extremamente sério e importante para eles.
___________________
Vídeo gravado a 20 de Janeiro 2010 por Hugo Lima
www.hugolima.com
hugofrlima@gmail.com

Category:

Travel & Events

Tags:

License:

Standard YouTube License

  • likes, 0 dislikes

Link to this comment:

Share to:
see all

All Comments (6)

Sign In or Sign Up now to post a comment!
  • Muitoo da hora,espero casar com meu namorado indiano assim !hahaha

  • legal!!

  • parece a timbalada!!!!!!!!!!! kkkkkk

  • eu adorei este video!!!!! muito legal, alegre, quero o meu casamento assim!!!!!! todos felizes, sem precisar fazer "caras e bocas" para fotos.

    Parabens!! Achei o maximo!!! apenas a cara da noiva e do noivo que me pareçe seria demais...

  • Caramba,que festa,hein! lol

  • Parabéns pelo casamento, festa muito animada e alegre e o pessoal com um ótimo astral felicidades.

Loading...

Alert icon
0 / 00Unsaved Playlist Return to active list
    1. Your queue is empty. Add videos to your queue using this button:
      or sign in to load a different list.
    Loading...Loading...Saving...
    • Clear all videos from this list
    • Learn more