Um dos textos de maior influência para a realização deste vídeo em que é mostrada uma pessoa rasgando o que é pra ser, novamente, o seu próprio coração e em seguida o costurando, o recuperando parcialmente e deixando as cicatrizes muito à vista, está na página 207 do livro "Fragmentos de um discurso amoroso" de Barthes:
"Toda rede amorosa é por mim devorada com o olhar, nela distingo o lugar que seria o meu, se dela fizesse parte. Diviso não analogias, mas homologias: constato, por exemplo, que sou para X... o que Y... é para Z...; tudo o que dizem de Y... me atinge na carne viva, apesar de sua pessoa me ser indiferente, desconhecida mesmo; sou cativo de um espelho que se desloca e que me capta em todos os lugares em que há uma estrutura dual. Ou ainda pior: pode acontecer que, por outro lado, eu seja amado por quem não amo; ora, longe de me ajudar (pela gratificação que implica ou pela distração que poderia constituir), essa situação me é dolorosa: vejo-me no outro que me ama sem ser amado, nele distingo os gestos mesmos de minha desgraça, mas desta desgraça sou eu, desta vez, o agente ativo: vejo-me ao mesmo tempo como vítima e como carrasco".
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direção, fotografia e música
yasmine jalmusny e alice souza.
edição
alice souza
paris, 2008.
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