Livros na estante
Henrique Santos
De tanto contar as mesmas histórias
O pó se acumula em cima dos livros
Que jazem na estante revoltados, mudos
Que jazem na estante sem nunca serem lidos
E os noticiários dão pólvora
E bombas explodem em Jerusalém
Aqui no morro o tiroteio é todo dia
E o menino favelado morre baleado
O analfabeto ajoelhado diz Amém
E tudo isto cheira a pó
Tudo isto me cheira a pó
De livros fechados em cima da estante
Pois é só abrir os olhos para num instante
Ver que tudo isto é a mesma história
Que sempre veio antes
E os noticiários dão pólvora
E bombas explodem em Jerusalém
Aqui no morro o tiroteio é todo dia
E o menino favelado morre baleado
O analfabeto ajoelhado diz Amém
E tudo isto cheira a pó
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