Maravilhoso poema de Fernando Pessoa singelamente mas profundamente cantado e musicado pelo Luís Cília.
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
Duas, de lado a lado,
Jaz morto, e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino de sua mãe.»
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe.
Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
De outra algibeira, a lá da
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
Que volte cedo, e bem!
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece
O menino da sua mãe
Para saber mais sobre Luís Cília consulte o site www.luiscilia.com.
Não sei se vc's ja tiveram o prazer de escutar a versão de João Ricardo (ex - secos e molhados) é simplesmente genial. mas aconselho não acreditar em mim, e aki no mesmo site colocar o menino de sua mae com jão ricardo. vai valer muito apena.
claudiosantos1967 1 year ago
Maravilhosamente musicado e cantado com muita emoção! Gostei muito! Quem dera que o meu amigo podesse musicar e cantar os meus poemas! Um beijinho. Meus fav. Maria Inês.
maecoragem888 1 year ago