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Esperança ilimitada

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Uploaded by on Mar 21, 2011

ESPERANÇA ILIMITADA
Irmãos, devemos esperar todos de chegar à perfeição
"O homem, ensina S. Tomás de Aquino,
não pode nunca amar a Deus como Ele deve ser amado;
da mesma forma, não pode crer, nem esperar nEle como deve".
Por isso, pode dizer-se que a medida da esperança em Deus é esperar sem medida.
A tua esperança, a tua confiança em Deus nunca será excessiva nem exagerada,
porque se apoia na misericórdia de Deus que não tem limites.
Se procuras sinceramente fazer da tua parte tudo o que podes para agradar a Deus,
não temas esperar demasiado nEle.
O Seu poder auxiliador, o Seu desejo do teu bem
e da tua santificação excedem infinitamente as tuas esperanças por ousadas que sejam.
Agrada tanto a Deus esta esperança cega e ilimitada nEle que,
quanto mais nos vê esperar, tanto mais nos cumula de bens:
«Quanto mais a alma espera, tanto mais alcança», diz S. João da Cruz;
e S. Teresa do Menino Jesus, fazendo seu este pensamento, exclama:
"Nunca se tem demasiada confiança no bom Deus, tão poderoso e misericordioso!
Obtém-se dEle tanto quanto se espera".
Quanto mais miserável, fraco e impotente te sentires,
tanto mais precisas de esperar em Deus;
se não podes nem deves esperar chegar à santidade com as tuas forças
deves esperar consegui-lo com a força de Deus que é omnipotente,
apoiado na Sua misericórdia infinita
que gosta de Se inclinar sobre as almas conscientes da Sua própria fraqueza,
que se compraz, como disse Nossa Senhora,
em «elevar os humildes e encher de bens os famintos».
E a experiência da tua miséria deve fazer-te sentir cada vez mais viva
a necessidade de Deus, ou, antes, a tua própria miséria
deve ser um grito incessante a invocar a sua ajuda omnipotente com plena confiança.
Quanto mais a tua alma se dilatar na esperança, na confiança em Deus,
mais se abrirá à Sua acção santificadora.
A misericórdia de Deus está pronta a descer sobre ti a fim de te purificar e santificar,
mas para o fazer, espera que tu Lhe abras as portas do teu coração
por um acto de absoluta confiança.
Quando uma alma se esforça com toda a sua boa vontade por praticar as virtudes,
por cumprir todos os seus deveres, quando está decidida a nada recusar ao Senhor,
deve manter-se numa atitude de total confiança nEle, apesar das quedas inevitáveis.
Sim, deves ter uma confiança absoluta em que o Senhor virá santificar-te,
não obstante as faltas do passado, as misérias do presente, as securas de espírito,
as repugnâncias da natureza, o cansaço e o esgotamento das forças.
Deus ama-nos, não por estarmos sem pecado, mas porque somos Seus filhos,
porque infundiu em nós a sua graça.
E tu não deves fazer-Lhe a ofensa de não crer no Seu perdão,
nem deves desanimar pelas faltas que te podem escapar, apesar da tua boa vontade.
Se desanimas, é porque buscas a perfeição não só para a glória de Deus,
mas porque é para a tua satisfação,
é porque desejas mais estar seguro de ti mesmo do que estar seguro só de Deus.
No fundo, isto seria fruto de um orgulho subtil.
Em vez de te espantares, de te irritares com as tuas imperfeições,
reconhece-as humildemente, apresenta-as a Deus,
como o doente apresenta as chagas ao médico, pede perdão e,
depois, recomeça imediatamente com grande confiança.
Tens de aprender a servir-te das tuas misérias e das tuas faltas para defender a tua causa,
para demonstrar a Deus quanta necessidade tens do Seu auxílio,
para aumentar a tua confiança nEle.
A esperança em Deus é a grande âncora de salvação da tua pobre alma,
açoutada pelas ondas da fraqueza humana. Neste sentido,
S. Paulo exorta-te a proceder «segundo a virtude de Deus,
que nos livrou e chamou com a Sua santa vocação, não pelas nossas obras,
mas segundo o Seu beneplácito e a graça que nos foi dada em Jesus Cristo.» (II Tim.).
Longe de concluir que as boas obras são inúteis,
a esperança cristã exige da tua parte o maior cuidado possível em fazer o bem e fugir do mal;
mas, depois, lança-te muito para além das tuas pobres obras,
lança-te em Deus, na Sua misericórdia infinita.
MAS TAMBÉM ESPERANÇA NA MISERICÓRDIA DIVINA
Quando te colocas diante de Deus e pensas no fim altíssimo da união com Ele,
compreendes imediatamente que o grande obstáculo que se interpõe entre ti e Deus
são os teus pecados, a tua fragilidade e a tua miséria ,
pelo que te é tão difícil viver de um modo digno de Deus.
Mas a esperança vem ao teu encontro, assegurando-te,
da parte da misericórdia infinita, o perdão dos pecados e a graça necessária,
não só para viver bem, mas ainda para viver santamente.
O perdão dos pecados afasta de ti o obstáculo à união com Deus,
a graça aproxima-te dEle e, finalmente, consuma a união.
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