Prémio AICA/MC 2010 de Arquitectura

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Uploaded by on May 17, 2011

Prémio AICA/MC 2010 de Arquitectura

O Prémio AICA/MC 2010 de Arquitectura, foi atribuído ao Arquitecto Francisco Castro Rodrigues (Lisboa, 1920), pela grande relevância cultural do seu trabalho na cena portuguesa, ainda que pouco conhecido das gerações mais recentes, já que a maior parte da sua obra construída se localiza em Angola, no Lobito, cidade à qual imprimiu um forte carácter urbano a partir dos anos de 1950. Francisco Castro Rodrigues destacou-se logo em 1947, quando liderou um grupo refundador da Revista Arquitectura (as reuniões decorriam na sua própria casa), tendo traduzido para publicação na mesma revista (com a mulher, a actriz Maria de Lurdes de Castro Rodrigues), a Carta de Atenas (Le Corbusier, 1941), documento fundamental para a entrada do ideário da Arquitectura Moderna em Portugal. Combatente antifascista, perseguido pela polícia do regime, encontrou no Lobito um ambiente mais propício ao desenvolvimento de uma obra consistente, moderna, muitas vezes lúdica e expressionista, com recurso aos novos materiais e às suas potencialidades. Iniciou-se com a Casa Sol (1953), onde já inclui a colaboração de artistas plásticos, participação que viria a ser uma constante ao longo do seu percurso (painéis de azulejo nas empenas por Manuel Ribeiro de Pavia). O bloco de habitação plurifamiliar Universal (1961), com a sua complexa máscara de grelhagens, palas, terraços, recessos e sombras, o Cine- Esplanada Flamingo (1963), obra cosmopolita, com uma audaciosa cobertura em betão, suspensa, com 16 metros de balanço, ou o Liceu do Lobito (1966), sem dúvida, a sua obra mais radical, traduzem o amadurecimento da vontade de Castro Rodrigues em adaptar as novas técnicas construtivas ao clima tropical; na arejada Catedral do Sumbe (1966) inscreve, simultaneamente, um inovador espaço litúrgico, contando com a contribuição plástica de Clotilde Fava e Louis Dourdil. Em 2009, Eduarda Dionísio editou (com a Casa da Achada), o livro Um cesto de cerejas, no qual reúne uma série de conversas que manteve com o Arquitecto, trazendo a público muito do seu longo e rico percurso profissional e humano. Também em 2009, Moderno tropical: Arquitectura em Angola e Moçambique, 1948-1975, de Ana Magalhães e Inês Gonçalves (Tinta da China), ilustra abundantemente a obra construída de Castro Rodrigues, elegendo para capa, inclusive, uma esplêndida foto da ruína moderna do que resta do Cine-Esplanada Flamingo. Depois da independência de Angola, Francisco Castro Rodrigues colaborou na reconstrução do novo país, nomeadamente na organização do seu Curso de Arquitectura, tendo regressado a Portugal, às Azenhas do Mar (onde vive, desde então), em 1989."

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