DUAS MORGUES NO OLHAR
Os velhos entornam os corpos pelas ruas.
Pousam nos bancos
como pássaros rendidos.
O céu é uma ferida,
os olhos duas morgues
onde regressam paisagens.
Há uma infância apressada
que fala em nascer de novo.
Das rugas,
os sonhos assaltam a memória.
"Mãos ao ar".
Rendidos,
os brinquedos levantam os braços,
mas todos são máscaras.
Os dias avançam como valas.
Ninguém diz, mas todos sabem,
o cemitério é o prazo do paraíso.
Alberto Pereira
in "Amanhecem nas rugas precipícios"
Obriga meu doce Amigo POETA.
Beijso muitos para vocês <3<3<3<3<
Ashera08 2 months ago