Severino, retirante e camponês sem terra, igual a centenas de outros, abandona o sertão natal, em busca de trabalho, a caminho do litoral, que ele acredita ser mais farto e generoso. No trajeto, encontra evidências da miséria social e econômica da região: o enterro de um lavrador que, depois de uma vida inteira de trabalho, só tem direito ao pequeno espaço de sua cova (" é a parte que te cabe neste latifúndio"); a rezadeira que explora a superstição e o medo de uma gente pobre e ignorante ("como aqui a morte é tanta, só é possível trabalhar nessa profissões que fazem da morte ofício ou bazar".); os coveiros que constatam como os sepulcros e as criptas dos cemitérios refletem, também, as relações sociais entre os pobres, ricos, etc.. Chegado a Recife e abatido pelas circunstâncias, Severino indaga a Mestre Carpinteiro se não é melhor "saltar da ponte da vida". Enquanto o velho carpinteiro responde chega uma vizinha que lhe comunica o nascimento do filho. Duas ciganas, saídas da lama de mangue, prevêem a vida dura que aguarda o menino. As vizinhas cantam a beleza, a esperança, o sentido exultante de afirmação da vida. A viagem, os encontros, as dúvidas existenciais de Severino, a crítica às instituições, o final didático e humanista, o nascimento do filho e um carpinteiro, o caráter simbólico das situações e personagens reeditam o velho auto de natal da tradição medieval e vicentina, que Cabral retoma com vigor contemporâneo.
porque não mostra o vídeo todo?
TheCrislayne 2 years ago