Até 1920, quando Saudades de Matão já se tornara bem conhecida, pouco se sabia sobre sua autoria, sendo por alguns considerada tema popular. Então, através da revista A Lua, de São Paulo, Jorge Galati foi identificado como autor da composição.
Nascido na província de Catanzaro (Itália) cm 1885, ele chegou ao Brasil cinco anos depois, quando a família transferiu-se da Europa para São Carlos do Pinhal (SP). Daí em diante, até sua morte em 1969, viveria em diversas cidades paulistas sempre levado por suas atividades musicais. Assim, após estudar música em São José do Rio Pardo, já exercia com apenas 19 anos a função de mestre da Banda Ítalo-Brasileira de Araraquara. Foi aí, em 1904, que compôs a celebre valsa, originalmente intitulada Francana e que depois, à sua revelia, passou a chamar-se Saudades de Matão. A troca do título aconteceu por volta de 1912, sendo responsável pela mudança Pedro Perches de Aguiar, na época músico em Taquaritinga.
Em 1949, quando Saudades de Matão transformada em sucesso nacional já rendia bons dividendos artísticos e pecuniários, o mesmo Perches resolveu reivindicar sua autoria, estabelecendo-se grande polêmica na imprensa e no rádio.
O assunto mereceu de Almirante rigorosa pesquisa, havendo em seu arquivo variada documentação a favor de Jorge Galati. Há, por exemplo, uma declaração, registrada em cartório, do Sr. Pio Corrêa de Almeida Morais, prefeito de Araraquara em 1904, que afirma ter ouvido muitas vezes naquele ano Galati interpretar a valsa Francana. Mas, segundo Galati, apareceram ainda no decorrer do tempo outros pretendentes à autoria da valsa, como Antonio Carreri, José Carlos Piedade, Protásio Tomás de Carvalho, José Stabile e Antenógenes Silva, sendo que este último registrou um arranjo sobre o tema popularizada como peça instrumental, Saudades de Matão recebeu letra de Raul Torres em 1938.
Saudades de Matão (valsa) - Jorge Galati, Antenógenes Silva e Raul Torres
Neste mundo eu choro a dor
Por uma paixão sem fim
Ninguém conhece a razão
Porque eu choro tanto assim
Quando lá no céu surgir
Uma peregrina flor
Pois todos devem saber
Que a sorte me tirou foi uma grande dor
Lá no céu junto a Deus
Em silêncio minh'alma descansa
E na terra, todos cantam
Eu lamento minha desventura nesta grande dor
Ninguém me diz
Que sofreu tanto assim
Esta dor que me consome
Não posso viver
Quero morrer
Vou partir prá bem longe daqui
Já que a sorte não quis
Me fazer feliz.
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
nossa, lembro dos bailes que tocou no Charrua e região
rodrigozolet 3 years ago
Bons tempos aqueles...
Forte abraço,
JRicardo
jrdiedrich 3 years ago
muito bonito parabens.
burchai 4 years ago
Muito obrigado!
Forte abraço,
João do Bandoneon
jrdiedrich 4 years ago
Excelente !!!
cesardesouza 4 years ago
Muito obrigado!
Forte abraço,
João do Bandoneon
jrdiedrich 4 years ago