PLANOS - parte I

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Uploaded by on Jun 15, 2010

PROPOSTA -- A produção de um material áudio-visual com baixo custo, esteticamente belo, montado e filmado de dentro de um quarto de apartamento. A atmosfera fílmica será concebida através da composição meticulosa de imagens em Planos musicados pela manipulação eletrônica de Villa Lobos e Beethoven. Não existirá nenhuma estória para contar. O que se apresentará será simplesmente a instauração de um sentimento emocional de uma beleza estética desprendida da realidade ordinária. O filme se passará numa dimensão quase que onírica e se desenvolverá no contraponto entre o labutar e o lúdico através dos movimentos de corpos em seu cotidiano.




REFERÊNCIAS -- O cinema Russo do início do século passado foi praticamente inventado e teorizado pelos cineastas Serguei Einseistein e Dziga Vertov. Uma das principais características desse cinema era a importância da montagem para a obtenção da atmosfera fílmica desejada. O material bruto era obtido através de uma cuidadosa e diversificada composição de Planos. A forma final do filme era obtida com a inserção da trilha sonora ao material imagético montado. Em seu livro a forma do filme, Einseistein traça uma meticulosa análise sobre a correspondência entre a composição dos Planos do filme e a partitura da trilha sonora utilizada.

Arstavad Pelechian, um cineasta Armeno que iniciou suas produções nos anos 50, utilizava em suas montagens o recurso da repetição de uma dada seqüência interlacada a outros planos com o intuito de gerar uma absorção mais densa do conteúdo imagético exposto. Seus trabalhos não descreviam uma estória e sim criavam atmosferas emocionais e documentavam o cotidiano de forma a tocar diretamente a sensibilidade do espectador.

A atual facilidade em realizar a captura de imagens e montar um produto áudio-visual através da tecnologia digital de baixo custo possibilitou o surgimento de uma série de trabalhos que transcendem os conceitos tradicionais de documentário/ficção. O artista plástico e cineasta mineiro Cao Guimarães é um desses expoentes que produz filmes de baixo custo e que se comunica através de uma linguagem fílmica própria onde se percebem influências "Vertovianas" no cuidado com a composição dos Planos, na montagem e nos assuntos abordados, geralmente excentricidades do cotidiano despercebido.




RESULTADO -- As interferências sonoras surgiram de forma espontânea e foram se adequando aos Planos montados de maneira natural. A maioria das músicas são composições originais de Villa Lobos. As trilhas do filme foram obtidas da confluência entre duas ou mais músicas, ora invertidas, ora não.

As filmagens duraram 18 meses e foram realizadas do nono andar de um prédio localizado nas imediações da Avenida Paralela em Salvador. Uma pequena câmera filmadora digital foi responsável pela captura das imagens.

A montagem foi feita em dois anos e no mesmo lugar em que foram feitas as filmagens. A edição foi feita num PC comum através de um editor genérico. Isso possibilitou que o trabalho fosse feito de forma independente, lenta e com bastante experimentação.

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