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A história da colonização do Norte do Paraná por um nordestino

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Uploaded by on Jan 12, 2011

Entrevista com o senhor Anízio Nascimento, nascido em 1932, vindo de "Igreja Nova", Comarca de Penedo em Alagoas, que chegou ao norte do Paraná com 19 anos, na Cidade de Cornélio Procópio. Seo Anízio, negro, nordestino, com seus 1,55 metros, foi testemunha ocular e participou do "desbravamento" de parte do Norte Pioneiro (Norte Velho) e Noroeste do Estado. Através dele ficamos sabendo de uma colônia de escravos nordestinos encravada em algum lugar entre Londrina e Cruzeiro do Oeste, no ano de 1951; da concentração e da grilagem de terra; da vida dura de quem trabalhou, sem o devido reconhecimento e nome em placa de rua que fosse, durante 51 anos, abrindo estradas, como meeiro, "formador" de plantação de Café e em praticamente todas as atividades da vida rural. O relato lúcido com memória pródiga, do "camponês eloqüente", sobre o passado recente da história de nosso Estado, demonstra de forma simples o "custo do progresso". Praticamente sem estudo, mas sabendo se expressar com objetividade, "Seo" Anísio, que reside hoje em Ivaté, no interior do Paraná, resume muito bem uma sociedade concentradora de renda, de ladrões de terra, com a cumplicidade do Estado, da Igreja e das instituições: "Quem tinha muita terra, você pode ter certeza que não comprou. Aqui mesmo, em Ivaté, tem duas pessoas ricas que não roubaram nada de ninguém e venceram pelo próprio esforço". Como podemos ver, "Seo" Anízio é um otimista. Nesta primeira parte da entrevista, a emocionante e cruel história da "colônia de escravos nordestinos" existente há pouco mais de meio século no Norte Pioneiro. Em off, "Seo" Anízio declarou que quando o contrato de trabalho vencia, e os trabalhadores exigiam o pagamento, os jagunços batiam com a unha nas "carabinas" e diziam: "O pagamento está aqui, ó!".
Com vocês, no Pibloktok Documentário, "Seo" Anízio, um colonizador nordestino do norte do Paraná. O relato é um "tapa na cara" de quem afirma que "nordestino não trabalha", e defende alguma espécie de "superioridade" racista dos sulistas: o progresso de nosso Estado foi construído com o sangue e o suor de pessoas de toda parte do país, vergonhosamente omitidos, em sua maioria, pelos relatos do escribas da Corte.
O vídeo quase não tem cortes, a não ser para a troca da bateria da minha modesta máquina de filmar, de forma a manter a vivacidade da memória e da história. Uma correção: na segunda parte, a fuga do acampamento não foi de 9 Km como relata o vídeo. Foram de nove dias, nos quais os migrantes percorreram dias e noites até chegarem em Cruzeiro do Oeste.

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  • Muito bom testemunho desse bravo nordestino. Ouví o mesmo do meu sogro, um bom paraibano que logo que chegou ao Paraná escapou da morte após fugir dos capangas do seu patrão nas vésperas de receber a remuneração pelo seu trabalho numa safra inteira porque foi avisado de que seria morto no dia seguinte, como aconteceu dias antes com um seu amigo que desapareceu.

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