Apologia ao Pequeno Príncipe

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Uploaded by on Apr 26, 2011

Apologia ao Pequeno Príncipe

Em meio ao triste deserto do meu coração, tendo diante dos meus olhos, areais escaldantes de solidão, só, me deparo de repente com a visão de um garotinho de cabelos dourados que pede insistentemente para que eu lhe desenhe um carneiro, estranho prontamente o pedido, estou envolto com meus problemas, problemas estes que todo adulto tem e me vêm um ser aparentemente pequeno e frágil me fazer um pedido que para ele é muito importante.
Sem entender porque, começo a navegar nas entrelinhas do pequeno príncipe que me cativa a cada leitura, ah! meu pequeno anjo, onde estais agora? Porque será que todas as noites quando contemplo as estrelas, eu te vejo sorrindo e então começo a sorrir? Porque será que até agora tento descobrir o segredo de teres enxergado em meio ao deserto um carneiro através de uma caixa? Não sei, só sei que desde que te conheci procuro o verdadeiro sentido da vida, procuro nos homens o sorriso de uma criança, procuro nas pessoas grandes ouvir o som das suas vozes, se colecionam amigos e a vida vai passando... Deparo-me ao longo do caminho com adultos cada um diferente do outro, cada um com seus próprios problemas, como o bêbado, que só enxergava a sua própria desgraça, como o vaidoso, preocupado em ser admirado pelos outros, como o empresário preocupado com suas contas, sem olhar a beleza ao seu redor, sozinho dentro do seu próprio mundo, como o rei que julgava possuir as estrelas do céu, sem entender que possuí-las não lhe era útil, bastava contemplá-las, assim são as pessoas, mas contrariando a tudo, também me deparo com seres maravilhosos, como a raposa, que queria ser cativada, mas para isso era preciso um dia após o outro de convivência diária, de ritos, a raposa, que ensinou que as pessoas que amamos nos são únicas e é preciso procurar detalhes particulares de cada uma para que possamos nos lembrar delas quando se forem de nossas vidas e assim como a raposa passou a amar o barulho do vento no trigo, simplesmente porque a sua cor lembrava a cor dourada dos teus cabelos, que também nós, passemos a lembrar das pessoas que amamos por simples detalhes, mesmo que não estejam mais conosco.
Ás vezes contemplo o pôr-do-sol, não tenho tantas oportunidades assim, mas quando o faço, fico com aquela sensação nostálgica e navego novamente nas entrelinhas do pequeno príncipe para sair daquele deserto triste que se encontra meu coração, caminhando vou em meio a esse deserto a procura de um poço, onde existe uma fonte para matar-me a sede, e então encontrar dentro do meu coração uma rosa, coroada de espinhos, mas cheia de saudades. E, finalmente à noite, antes de dormir, eu olho o céu e fico sorrindo, porque todas as estrelas me sorriem e eu tenho a certeza que, em uma delas estarás habitando.
E assim é a vida, às vezes ela nos parece um deserto escaldante e quando olhamos em volta, nada, solidão, mas quando iniciamos a caminhada em busca de um poço, deparamo-nos com uma fonte de prazer que nos mata a sede e ficamos felizes pelo esforço da caminhada, em cada deserto há uma fonte, em cada casa velha há um tesouro escondido e ao longo da caminhada aparecem as rosas que nos cativam porque são únicas, aparecem às raposas que nos ensinam o valor de cativar e se deixar cativar, e aparecem também os espinhos, mas temos que saber suportá-los e um dia em meio a esse deserto, aparece um garoto de cabelos dourados que ri e nos ensina os verdadeiros valores, fazendo-nos acreditar que as relações afetivas são o único vínculo entre os seres.



"Os homens cultivam cinco mil rosas em um só jardim e não encontram o que procuram e, no entanto, o que procuram poderia ser encontrado em uma única rosa, mas os olhos são cegos, é preciso enxergar com o coração".

"A gente só conhece bem as coisas que cativou...tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".

"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos".


Texto: Angélica Silva
Narração: Fabiano Santos

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  • Ah... meu pequeno príncipe... onde estás? Por que me deixei ser cativada por ti? ... agora, sempre que olho as estrelas, imagino ver você sorrindo...

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