Elenco, quase completo, da novela Sem Lenço, Sem Documento (1977), escrita por Mario Prata, direção de Régis Cardoso, co-direçao de Dênis Carvalho, para às 19 horas na Rede Globo.
Mário Prata havia estreado como escritor de novelas em Estúpido Cupido (1976), e com enorme sucesso. Sem Lenço, Sem Documento, sua segunda novela era aguardada com grande otimismo. Mas apesar da estrutura de ambas as novelas serem parecidas, várias histórias sem um núcleo principal, o resultado fui um grande fracasso. A temática da vida da empregada doméstica, o desemprego, a discriminação do velho no trabalho, não agradou ao público, além do texto se perder no excesso de histórias paralelas. Se em Estúpido Cupido as diversas tramas paralelas funcionavam, era porque a novela num todo era unida pela nostalgia de uma época; o foco central era os anos 60.
O fracasso da novela também terminou o que prometia ser uma dobradinha para o horário das 19 horas, com o revezamento dos autores Mário Prato e Cassiano Gabus Mendes, uma prática comum na época: Dias Gomes, Bráulio Pedroso e Jorge Andrade revezavam as novelas das 22 horas; Janete Clair, Lauro César Muniz, e mais tarde Gilberto Braga, as novelas das 20 horas; e inicialmente Gilberto Braga, Benedito Ruy Barbosa, e depois Manuel Carlos, as novelas das 18 horas.
Mas outro problema de Sem Lenço, Sem Documento foi a escalação do elenco, onde as histórias principais ficaram nas costas de atores em seus primeiros trabalhos, não só na televisão, mas também como atores. E outros, que apesar de não mais estreiantes, não tinha ainda a experiência para carregar a novela. O elenco secundário era excelente, mas suas tramas sem atrativos.
Dênis Carvalho estreava na direção de novelas, como co-diretor, junto com o experiênte e talentoso Régis Cardoso. O próprio Dênis Carvalho comentou na época que a sua inexperiência também foi parte do fracasso da novela.
Em 1977 um fato singular acontecia na programação da Rede Globo, onde por vários meses, todas as suas 4 novelas diárias eram problemáticas, ou não bem aceitas pelo publico: às 18 horas, Sinhazinha Flô; às 19 horas, Sem Lenço, Sem Documento; às 20 horas, Espelho Mágico; e às 22 horas, Nina. Há de se lembrar um detalhe, que nos anos 70 uma novela fraca da emissora marcava uns 60 pontos no Ibope (um sucesso gingantesco para os dias atuais), tal era o hábito do publico em assistir a emissora, e tal era a falta de uma concorrência real.
Sem Lenço, Sem Documento marcou a estréia de Bruna Lombardi (até então uma famosa modelo), Ana Maria Braga (não a apresentadora, mas a irmã da atriz Sonia Braga), e Ana Helena Berenguer (também outra modelo).
A Ana Helena Berenguer que eu queria ver melhor aparece tão rápido
ireudaish 3 months ago
Realmente, é curioso o fato de todas as 4 novelas da Globo na época estarem sendo mal compreendidas. Mas, não existia "falta de uma concorrência real" como você disse. O fato das 4 novelas da Globo estarem sendo mal compreendidas, pode ter dado oportunidade pras outras emissoras ganharem no horário. A Tupi alavancou os índices do Ibope com "O Profeta". A novela de Ivani Ribeiro se beneficiou do fracasso de "Espelho Mágico". Vai saber o que as outras redes não conseguiam nos outros horários.
123CHEGOUAMINHAVEZ 3 months ago