Vídeo-poema de Fábio Aristimunho Vargas, feito sob encomenda do Instituto Cervantes de São Paulo para o evento "Poesia y Guerra Civil Española: diálogos e intervenciones", realizado no dia 23 de abril de 2009 na sede do IC em São Paulo. A organização do evento propôs a diversos escritores latino-americanos que realizassem um "diálogo" com algum poema da época da Guerra Civil.
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DE UM TRABALHADOR CONFISCADO NA PONTE DA AMIZADE
Como trabalhadores, todos somos
um pouco a cada dia assassinados.
A cada dia um pouco relembrados
que trazemos em nossos cromossomos
o que podíamos ser mas não fomos
por nossa culpa, pois não estudados.
Nessa guerra incivil dos tributados,
nossa bagagem tanta, feito os pomos-
-de-Adão dos travestis, nos denuncia
à distância à polícia aduaneira,
que sabe aliviar toda caçamba
dos excessos. Vivemos na fronteira
de nós mesmos, e somos nós a muamba
que é confiscada um pouco a cada dia.
(Foz do Iguaçu, abril de 2009)
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COMENTÁRIOS SOBRE O PRECESSO CRIATIVO:
A Guerra Civil Espanhola teve grande impacto sobre quatro literaturas que convivem sobrepostas no território da Espanha. As literaturas galega, espanhola, catalã e basca sofreram igualmente com o desaparecimento de toda uma geração de escritores, perdida na guerra e no exílio.
Decidi homenagear um escritor basco, que escrevia em uma língua praticamente inacessível para além de suas fronteiras linguísticas. A obra do poeta Lauaxeta (1905-1937), que morreu fuzilado na Guerra Civil, causou por si mesma uma revolução nas letras bascas, introduzindo-as diretamente na Modernidade. Seu prematuro desaparecimento, aos 32 anos de idade, foi uma dentre as muitas perdas que a literatura basca demoraria a superar.
O poema que selecionei, "A um trabalhador assassinado" (Langille eraildu bati), trata de um dos temas que estavam na pauta original da Guerra Civil: a justiça social nas relações trabalhistas e o uso do aparato estatal para reprimir a classe trabalhadora.
Trasladando esse tema para meu tempo e lugar, a fronteira Brasil-Paraguai neste final da primeira década do séc. XXI, constato que permanece na pauta do dia o uso da força policial para reprimir trabalhadores que não têm outra perspectiva - a menos que se considere a criminalidade uma perspectiva - senão viverem na informalidade.
Diariamente são apreendidos na fronteira grandes volumes de mercadorias que seriam revendidas a preço baixo em diferentes pontos do território brasileiro. Mercadorias como brinquedos, eletrônicos e quinquilharias, responsáveis por colocar o pão na mesa de inúmeras famílias.
Em meu poema "De um trabalhador confiscado na Ponte da Amizade" procuro dar voz a um desses trabalhadores que vivem na fronteira de si mesmos.
(Fábio Aristimunho Vargas)
muito lindo o seu poema! Parabens!
Mr021021021 10 months ago
Lindo demais!
rixsilveira 2 years ago