Plínio de Arruda no Bom Dia, Brasil 23-09-2010

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Uploaded by on Sep 25, 2010

Plínio de Arruda Sampaio, candidato do PSOL à Presidência da República, foi entrevistado na quinta-feira (23/09/2010) pelo "Bom Dia, Brasil." (5m:24s)
Transcrição:
Tonico Ferreira -- O senhor e o seu partido defendem um regime socialista para o Brasil, mas a história mostra que todos os regimes socialistas desbancaram para a ditadura, para o estado policial. Não é uma contradição no seu caso, que é um político que sempre defendeu a democracia e a liberdade?

Plínio de Arruda Sampaio -- O socialismo teve uma experiência e essa experiência não foi boa. Exatamente porque faltou a liberdade. Mas uma grande ideia, ela não se encerra na perda de uma experiência. Ela não se liquida. É preciso refazer essa ideia de novo aproveitando os erros da experiência passada. É isso que nós vamos fazer.
Tonico -- Mas nós tivemos mais de 20 países que optaram pelo socialismo, todos foram para a ditadura, todos abandonaram, com a exceção de Cuba e Coréia do Norte hoje.
Plínio -- Eu digo que foi a experiência em uma época histórica. Em uma época completa. Então, todas essas experiências formam uma experiência que não deu certo.
Tonico -- A Petrobrás está vendendo ações ao público para se capitalizar. Mas o seu programa de governo diz que a Petrobrás tem que ser 100% estatal. Portanto, todos os investimentos que a Petrobrás pretende fazer tem que vir de onde? De dinheiro público? Por que desprezar o financiamento privado, para quê?
Plínio -- Porque uma empresa da importância da Petrobrás, que é estratégica para fazer política econômica, ela precisa ser inteiramente do estado, para ter total liberdade de agir a fim de promover o desenvolvimento. São empresas estratégicas.
Tonico -- Mas o governo tem 51% da Petrobrás, vai continuar tendo mesmo com a abertura maior do capital. Portanto, com 51% ela faz o que quiser e ao mesmo tempo o senhor recebe um dinheiro que não tem custo, que é o dinheiro do investidor.
Plínio -- Mas a presença do capital privado em uma empresa pública é mais do que a  percentagem acionária, é a informação. O governo tem que agir também com a formação própria.
Tonico -- Mas o governo vai conseguir mais de R$ 100 bilhões com essa venda de ações, que não custa nada a Petrobrás.
Plínio -- O problema do Brasil não é dinheiro, Tonico. O problema do Brasil é a distribuição do dinheiro. De modo que mais R$ 100 bilhões para a Petrobrás não quer dizer grande coisa. O que é importante é que o governo tenha na mão as empresas estratégicas.
Tonico -- Mas ele tem, candidato. Com 51%, tem na mão.
Plínio -- Mas é o que eu digo, não terá a informação. Porque dentro de uma empresa o que se discute é uma estratégia. Essa estratégia é para conduzir o capital privado para um lugar que se deseja. Se o capital privado está presente, ele pode neutralizar a ação da companhia.
Tonico -- O seu programa propõe o fim das organizações sociais de saúde, que são entidades filantrópicas que administram hospitais públicos. Por que o senhor quer acabar com a filantropia na saúde?
Plínio -- Pelo seguinte: porque enquanto houver saúde pública e saúde privada, o pobre vai levar quatro meses para fazer um exame, um ano, dois anos para fazer uma cirurgia. E no princípio da igualdade é preciso que tudo seja público. Aliás, nós temos um exemplo no Brasil extraordinário que é a Rede Sarah Kubitschek. É um hospital público administrado descentralizadamente, com enorme autonomia.
Tonico -- Mas no caso continuaria sendo hospital público, eles são hospitais públicos, só que feitos com entidades sociais filantrópicas. Só a administração é que muda para torná-la mais dinâmica.
Plínio -- Mas é uma maquiagem. Outro dia eu estive em uma dessas que fez o seguinte. A coisa que não dava recurso, que tinha problemas, eles tiraram, que era um centro de estudos lá de problemas médicos. Aí eles tiraram e jogaram para fora, entendeu? Porque na verdade é uma forma de embutir, de enganar a extração do lucro.
Tonico -- O senhor quer acabar com essas organizações filantrópicas, vai comprar fazendas ou pelo menos desapropriar grandes fazendas, vai recomprar empresas que foram privatizadas e ao mesmo tempo o senhor pretende dobrar os gastos com educação, aqui nesse ponto é até louvável. Mas de onde virão os recursos, porque se não tem de onde vem os recursos, eu posso até dizer o seguinte, melhor triplicar o dinheiro para saúde, para educação.
Plínio -- Trinta e seis por cento do orçamento da União vai para o pagamento de juros da dívida. Uma auditoria nesta dívida faz cair tremendamente a quantidade do que o governo deve pagar e sobrará recursos tranquilos para duplicar a saúde, duplicar a educação. O problema do Brasil não é falta de dinheiro, o problema do Brasil é má distribuição do dinheiro.
Tonico -- Muito obrigado, Candidato, por sua entrevista.
(Fonte: g1.globo.com)

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  • Não vejo o Plínio com ideias insustentaveis. Desculpe-me; mas ideias insustentáveis tem a Marina, que defende o meio ambiente e apoia o modelo econômico crescente que o Brasil vive, que se apoia justamente na EXTRAÇÃO (MINERAL E VEGETAL) E CONTINUA EXPLORAÇÃO DA TERRA. Eu queria perguntar para ela, se ela vai continuar com o modelo de monocultura brasileira, que acaba com a terra, destroi os lençóis freáticos e que é a BASE (plantation - Commodities) da economia brasileira, a Pecuária...

  • ,que mundialmente o Brasil se destaca com sua carne,mas que continua destruindo ainda mais o Pantanal e a Amazônia.Sabe qual é a resposta:NÃO HÁ COMO DEFENDER PLENAMENTO O MEIO AMBIENTE NO BRASIL ATUAL SE NÃO MUDARMOS A ECONOMIA DO PAÍS.Se defender o meio ambiente RADICALMENTE,é por que vai mudar a face da economia brasileira,coisa que a Marina já disse não fazer, por que apoia o governo econômico do FHC e do Lula.No meio ambiente, o custo do crescimento brasileiro é o desequilíbrio ambiental.

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All Comments (7)

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  • A maior revolução esta na mudança da mentalidade de todos nos, acredito que qualquer sistema resolveria o problema, se os governantes fossem mais probos e os governados com outra postula, ou seja, todos unidos e com boa vontade; mas nos seres humanos são complicados e não pensamos em nossos semelhantes. um abraço a todos

  • acho suas ideias louvaveis e até conexas, o problema é mudar esse regime de muletas de uma hora para outra, certamente iria gerar complicações, mas diria que ideais como o dele ao longo tempo melhorariam; o problema não é o sistema X ou Y, mas sim os proprios governantes com suas manobras para tirar proveito proprio, se todos fossem fiéis e voltados para a causa publica e não no proprio ego, certamente qualquer sistema funcionaria e resolveria a mais revolução esta na mudança da mentalidade

  • @julianomendonca Para quem tem dinheiro para passear de mangalarga no Havaí, eu creio que não queira outra vida mesmo. E, que se dane os pobres, Cuba, Brasil e os quintos do inferno, né? O materialismo é algo muito persuasivo... mas se um dia vc cair do cavalo na sua bunda, vc vai engolir suas palavras. Vc entregava pizza no Havaí? Eu conheço muito brasileiro que vai pra lá e fica fazendo isso; ou limpando banheiro dos ricos. O BRASIL PRECISA MUDAR e nós podemos, sim! A realidade não é só Havaí.

  • O Plínio é um radical com idéias insustentáveis. Mas também acho que essa capitalização do Petrobrás não parece ser boa idéia. O governo detém o comando com 51%, mas provavelmente, os outros 49% vão influir no valor e poder da empresa. Eu não sei como essas organizações de saúde podem ajudar o governo, pois o hospital público que precisei, tinha filas enormes de atendimento e os exames quando eram rápidos, eram agendados com no mínimo 3 meses de intervalo. Até o momento, meu voto é da Marina.

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