O SONHO DOS SONHOS
Quanto mais lanço as vistas ao passado,
Mais sinto ter passado distraído,
Por tanto bem — tão mal compreendido,
Por tanto mal — tão bem recompensado!...
Em vão relanço meu olhar cansado
Pelo sombrio espaço percorrido:
Andei tanto — em tão pouco... e já perdido
Vejo tudo o que vi, sem ter olhado!
E assim prosigo, sempre audaz e errante,
Vendo, o que mais procuro, mais distante,
Sem ter nada — de tudo que já tive...
Quanto mais lanço as vistas ao passado,
Mais julgo a vida — o sonho mal sonhado
De quem nem sonha que a sonhar se vive!..
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