(01) Olavo de Carvalho lê carta enviada por Carlos Vereza

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Uploaded by on Jan 3, 2011

No programa de rádio TrueOutspeak do dia 22 de dezembro de 2010, o filósofo e jornalista Olavo de Carvalho lê carta enviada por Carlos Vereza.

Artigo mencionado:

Libertação tardia

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 8 de dezembro de 2010

Quando me mostraram um vídeo em que Carlos Vereza, no programa do Jô Soares, falava o diabo do governo, julguei que se tratava de explosão emocional inconseqüente, fútil. O que me levou a essa conclusão foi o fato de que o ator, por baixo de suas acusações aos ocupantes do poder, tentava salvar a honra do discurso esquerdista que, precisamente, os havia colocado lá.

"Aí está -- pensei -- mais um brasileiro que odeia as conseqüências sem deixar de amar as causas."

Agora, lendo o seu blog (http://carlosverezablog.blogspot.com/2010/11/forcas-armadas-acordem.html), percebo que Vereza evoluiu muito desde aquele primeiro protesto. Está sinceramente angustiado com o estado de coisas e não cessa de colocar em revisão suas velhas crenças, com notável coragem moral, em busca de uma explicação e de um remédio. O horror que a barbárie petista lhe inspira faz com que ele chegue até a aceitar a conveniência de uma intervenção militar saneadora -- idéia que ninguém pode alimentar sem primeiro ter-se libertado de todo preconceito antidireitista e especialmente da visão estereotipada e caluniosa do golpe de 1964, que se consolidou na opinião pública como fruto de uma das mais vastas, obstinadas e irrespondidas campanhas difamatórias que o mundo já conheceu.

Quando um intelectual com raízes esquerdistas tão fundas chega a esse ponto, é que seu desespero ante a feiúra indescritível do panorama político-cultural já expulsou da sua mente os últimos resíduos daquele sentimento de dívida moral que a máquina de dominação esquerdista sabe com tão ardilosa astúcia infundir preventivamente na alma de seus adeptos e simpatizantes, para aprisioná-los numa rede de escrúpulos paralisantes em caso de perda do entusiasmo revolucionário.

Esses fantasmas sempre podem ser expulsos, mas o custo emocional do exorcismo é ainda mais elevado que o do isolamento social, das chacotas, dos insultos, das amizades perdidas, do boicote profissional e demais sanções que a engenhoca infernal do Partido, montada para reinar soberanamente sobre a intimidade mais secreta das consciências, faz desabar sobre o infeliz que, de repente ou pouco a pouco, comece a enxergar a maldade do esquema em que colaborou por anos a fio.

A primeira tentação é a de acusar esse esquema de "incoerência", condená-lo como infiel a seus próprios princípios, sem perceber que a mescla indissolúvel da política e do crime, das belas palavras com os atos mais hediondos e escabrosos, longe de ser uma traição ou desvio, é ela própria um dos princípios orientadores da estratégia revolucionária desde o tempo de Karl Marx, que considerava a extinção violenta de povos inteiros um preço bem modesto para o advento de um sistema social do qual ele próprio se contentava com ter nada mais que uma idéia muito geral e vaga. O apelo revolucionário de Karl Marx, bem como o de seus sucessores, resume-se na proposta mais cínica que algum celerado já fez a seus irmãos humanos: "Matem e morram por algo que inventei mas que eu mesmo não sei dizer o que é."

Se perguntamos como foi que promessa tão evanescente logrou seduzir e escravizar tantos milhões de pessoas cultas, a melhor resposta ainda é a do ex-militante Douglas Hyde em seu livro Dedication and Leadership, de 1966: o partido não domina as almas dos militantes pelo que lhes dá, mas pelo que lhes toma. Quanto mais você lhe oferece dedicação, esforço, dinheiro e até a renúncia à sua dignidade pessoal, mais você se sente devedor, porque deu ao movimento revolucionário sua alma e seu coração, toda a sua substância espiritual, e, ante a mera hipótese de sair dele, se sente só, vazio, desprezível, um cadáver moral. Para libertar-se dessa obsessão, é preciso uma espécie de virilidade intelectual que vai se tornando ainda mais rara que a virilidade física.

De longe, aprecio o esforço interior de Carlos Vereza, sabendo que seu despertar veio tarde demais.

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Top Comments

  • Agora com o concessão de passaportes diplomaticos aos filhos de Lula, vemos que eles não são pessoas comuns assim como o Lula. O FHC possiia tal passaporte depois de sair do governo? Nem os ex-presidentes miltares o tinham.

    VERGONHA o proprio presidente não fazer cumprir o que lei determina,

  • A capacidade de perceber e retratar-se dos erros é uma cracterística dos honestos intelectuais, caso de Olavo de Carvalho.

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All Comments (14)

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  • @Kraosable Sem dúvidas. O Olavo deu um excelente exemplo ao admitir que estava enganado e retratou-se de forma clara e inequívoca. Um exemplo a ser seguido.

  • Porra, este Olavo de Carvalho nada sabe e a tudo critica com uma facilidade impressionante! É isto honestidade intelectual?

  • @mrs341341 Para de falar isso! Deixa o cara fumar! O cigarro não tá fazendo mal a ele. ;D

  • Pare de fumar Olavo!!

  • xfreitas dá para falar nossa lingua. Precisa rebuscar tanto para escrever esses absurdos?

  • Agora que o muro de contenção caiu poderemos ver os escombros que o Lulálcool e seus seguidores deixaram.

    É freqüente ver o mesmo fenômeno ocorrendo em famílias onde pais imaturos, analfabetos e carentes transferem para a prole suas fragilidades, induzindo-os a aprendizagens de comportamentos reativos igualmente imaturos. A palavra SOCIALISMO parece ser muito mais um desejo de resgate emocional do “vácuo afetivo” não-elaborado no ESTÁGIO DO ESPELHO do que um sistema ou forma de governo.

  • Mais besteira que estes senhores dizem. O que é petralha? Uma idiotice que homens letrados e que se julgam senhores da verdade diviam evitar. Vamos fazer um pesquisa coloque no Google o seguinte: Corrupção PFL, corrupção DEM, corrupção PSDB, corrupção PPS e vamos ver quem na história tem um passado mais sujo. O mensalão nem sequer foi julgado e não passa de mais uma insanidade inventado pela direita venal de que Vereza e Olavo de Carvalho fazem parte. Os cães ladram e a caravana passa.

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