Ofensas aos lixeiros (garis) no Jornal da Band

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Uploaded by on Jan 1, 2010

Boris Casoy acha uma merda que dois garis, do alto de suas vassouras, desejem um feliz 2010 para os telespectadores da Band. Eu, em compensação, acho lamentável que Boris Casoy apresente telejornais.

Certa feita, quando ainda não era um jornalista decadente, Boris Casoy perguntou ao senador Eduardo Suplicy, quando mediava um debate eleitoral, qual era o preço do pão francês, deixando o então candidato desconcertado: certamente Suplicy não ia à padaria havia muito; algum serviçal dos Matarazzo o fazia. Pergunto agora a Boris Casoy, com a condição de que a resposta seja de bate-pronto: quanto ganha um gari na cidade de São Paulo? O que é possível fazer com esse salário?

A palavra humilhação define bem o que Boris Casoy fez no último dia do ano, ao vivo, em rede nacional, e isso já é mais do que suficiente para classificar o ocorrido. Mas eu gostaria de chamar a atenção para um detalhe: a descortesia. Não foram os garis que procuraram a emissora em que Boris Casoy trabalha para desejar aos telespectadores um feliz ano novo. Ao contrário: foi a Band que entregou o microfone para que isso acontecesse.

De maneira que eu posso entender que Boris Casoy não apenas humilhou os garis, como desmereceu o trabalho da chefia que pensou a pauta, da equipe de reportagem que foi até eles, e da equipe de edição que editou a escalada do jornal. Feliz do operador de áudio que o desmascarou, ainda que acidentalmente, ainda que possivelmente a cabeça dele já tenha rolado de maneira sanguinolenta pelos corredores da emissora, quando em verdade a cabeça que deveria estar a prêmio era outra.

Em tempo: há que se levar em conta, evidentemente, o desrespeito à maior parte da audiência, milhões de telespectadores cujo salário se aproxima mais do dos garis do que do de Boris Casoy. Podiam ter entrado o ano sem essa.

A chamada gafe de Boris Casoy é muito mais do que uma simples gafe. É fruto e produto de nossa história e de nossa cultura elitista, de uma minoria economicamente dominante que subjuga as classes mais pobres. A gafe de Boris Casoy não é um simples ato falho dele e do operador de áudio: é a representação mais perfeita do que pensam as classes endinheiradas deste país.

Minha sugestão: uma desculpa esfarrapada de breves palavras no jornal do dia seguinte não é o bastante. Faça no Jornal da Band, Boris Casoy, ou no seu Jornal da Noite, uma série de reportagens sobre como vivem os garis: quem são? Quantos são? Quanto ganham? Como trabalham? Onde vivem? Como são tratados pela população? O que pensam sobre o que os governos (municipal, estadual, federal) fazem por eles?

Ou então se aposente. E dê lugar para cabeças mais arejadas e menos preconceituosas. Feliz 2010.

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News & Politics

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  • Olha que grande filho da puta. Pra voces terem o mínimo de noção do que é Boris Casoy longe das cameras.

  • Boris LIXO tem um medo gari vai os garis o põe no seu devido lugar.

  • kkkk rachei o bico ! !!!!

  • eh uma vergonha mesmo....Esse comportamento independe de emissora. Burguesia brasileira porca...dah nosso de ver pessoas como estas sendo algo no Brasil....

  • "Isto é uma vergonha"

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