Foi em Maceió que nasceu Eloá Pimentel, e foi lá que a menina passou os dois primeiros anos de vida em um ambiente conturbado e de violência.
Você vai conhecer agora detalhes do passado do pai dela. Foragido, ele foi acusado de pertencer a um grupo de extermínio antes de fugir da capital alagoana com a família.
O seqüestro que durou cinco dias revelou o passado de violência de Everaldo Pereira dos Santos, o pai de Eloá. A imagem chamou a atenção do perito Ailton Villanova, em Maceió. Quando a câmera flagrou bem, que eu olhei, eu reconheci. Na hora, fiquei na dúvida: mas o que ele está fazendo ali?, ele conta.
Foi Ailton quem descobriu a coincidência: Everaldo Pereira dos Santos, o pai de Eloá, era foragido da Justiça havia 13 anos, acusado de uma série de assassinatos. Uma marca no rosto foi decisiva na identificação.
Everaldo não apareceu nem no enterro da filha e está foragido. Do jeito que eles estão dizendo que eu sou o bicho de sete cabeças, eles vão querer me executar para queimar um arquivo, alega Everaldo.
As acusações trouxeram ao público histórias de violência dos anos 90. A minha irmã foi morta porque sabia demais. Ela sabia dos crimes dele, denuncia Rita de Cássia Alves Vieira, irmã de Marta.
Rita de Cássia e Claudinete vivem em Maceió. Elas são irmãs de Marta Lúcia Vieira, esquartejada em 1993. Marta tinha sido mulher de Everaldo. Quando foi morta, eles já estavam separados.
Ele vivia com ela há cinco anos e, quando entrou na polícia, se transformou. Já não era mais aquele homem e ela sentia medo, conta Rita de Cássia.
Elas dizem que Marta foi vista com vida, pela última vez, em um carro com Everaldo. Na época, as irmãs ficaram com medo de denunciar o ex-cunhado. Ele hoje se diz arquivo vivo. Arquivo vivo foi a minha irmã, na época, e ele a queimou. A verdade é essa, lembra Claudinete Vieira Melo, também irmã de Marta.
Everaldo era cabo da Polícia Militar, acusado de participar de um grupo de extermínio. Eles iniciaram com pistolagem, com assassinatos e, nos últimos anos, estavam já com extorsão, com assaltos a bancos. Estavam com um leque bastante abrangente de atuação, explica o promotor de justiça Luiz Vasconcelos.
Outro acusado de fazer parte do bando é Cícero Felizardo dos Santos, o cabo Cição. Amigo de Everaldo, ele também sumiu de Maceió.
Everaldo já foi denunciado por quatro assassinatos e é suspeito de envolvimento em outros dez. Há quatro mandados de prisão contra ele, por crimes que aconteceram em 1990, 1991 e 1996.
A vítima mais conhecida foi o delegado Ricardo Lessa, assassinado em outubro de 1991. Irmão do ex-governador Ronaldo Lessa, ele investigava o grupo de extermínio.
Depois da morte do delegado, Everaldo Pereira dos Santos ainda viveu em liberdade em Maceió por quatro anos. Em 1993, nasceu a filha mais nova, Eloá. Dois anos depois, oito policiais militares foram denunciados pelo crime e Everaldo era um deles. O cabo abandonou o quartel, reuniu a família e fugiu.
Eles moravam em uma casa na periferia de Maceió. Procuramos os parentes que ainda vivem lá. Na residência da mãe de Everaldo, a avó de Eloá, não fomos atendidos. Ninguém quer falar não. Senão eu jogo um tijolo aí, vai voar aí, alerta alguém da casa.
Um irmão de Everaldo disse ao Fantástico que o foragido vai se entregar daqui a dez dias, a contar deste domingo. Se isso realmente acontecer, a polícia deve deixar Lindemberg e o pai de Eloá frente a frente, para que digam se cometeram mesmo crimes juntos.
Pelos crimes do passado, Geraldo Amorim, juiz criminal de Maceió, tem certeza: aparecendo ou não, Everaldo vai a julgamento. Que há uma perda, há. Uma perda enorme de se perder um filho. Agora, a conduta dele é que vai ser avaliada. Ele tem que responder pelo que ele fez, afirma o juiz.
Este Assassino tem que ta PRESO, eu e minha irmã RITA tivemos muita coragem de denuniar ele
claudilene001 3 years ago 3