COSTAS DE UM PASSARINHO
Talvez seja a minha sina,
Algo maior do que o meu desejo,
Assistir à vida lá de cima
Através do prisma das rimas
E transformar em versos o que vejo.
As palavras que eternizo na poesia
São escritas com o sangue das minhas veias,
Nem tudo o que escrevo já vivi um dia,
Mas tento absorver a alegria e agonia
Que existem nas experiências alheias.
Me permito invadir a mente do meu irmão
E entender o que ele sente,
A ansiedade dele é a minha sofreguidão,
A vida dele é a minha lição
E a evolução dele me deixa contente.
Se não consigo voar
Para ver do alto o meu caminho,
Fecho os olhos para imaginar
Que estou sentado a vislumbrar
O mundo das costas de um passarinho.
Eduardo de Paula Barreto
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