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Os Maias, A Corrida de cavalos 1 (http://www.youtube.com/watch?v=V_eRy8JnzxQ)

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Uploaded by on May 19, 2009

http://www.youtube.com/watch?v=V_eRy8JnzxQ
A choldra a que Ega se refere, a classe que importa civilização pelo paquete e por isso esta lhe parece de segunda mão é o grupo social que circula entre o teatro S. José, o Chiado, a Casa Havaneza, o Jockey-Club e a temporada de verão em Sintra. Grupo de políticos sem escrúpulos (a verdadeira ralé para Eça), empresários, milionários ociosos e suas esposas adúlteras ou concubinas que circulavam por espaços restritos em uma Lisboa provinciana que lhe [para Eça] aparece marcada pelas ambições econômicas, políticas, sociais (BERRINI, 1985: 16) e por onde circula uma sociedade temporária fundada no jogo-espetáculo expressões de Edgar Morin para definir a acentuação de uma vida privada onde se travam, de modo mais intenso que na vida cotidiana, relações, amizades, flertes, amores (2002: 74). Já o sentimento de descompasso com a civilização provém da angústia da cópia, reflexo de uma modernidade desejada, mas não plenamente implantada. Modernidade que descortina uma sociedade em conflito com o progresso que deglute, pela velocidade moderna, a familiaridade das bodegas, o afago fraterno de uma cidade ainda provinciana. Nesse sentido, a Lisboa do poeta Alencar, um leão que sacode a juba (QUEIROZ, 1945: 216) em fervor patriótico, não é a da civilização, mas a imagem de um Portugal antigo, sério e inteligente, forte e decente, estudando, pensando (idem). É desse velho e rotineiro (p. 465) Portugal de que fala o romântico Alencar a Carlos Eduardo da Maia:




- Era outra cousa, meu Carlos! Vivia-se! Não existiriam esses ares scientificos, toda essa palhada philosophica, esses badamecos positivistas... Mas havia coração, rapaz! Tinha-se faísca! Mesmo n´essas cousas da política... Vê esse chiqueiro agora ahi, essa malta de bandalhos... N´esse tempo ia-se alli á camara e sentia-se a inspiração, sentia-se o rasgo!... Via-se luz nas cabeças!... E depois, menino, havia muitissimo boas mulheres. Os hombros descahiam-lhe na saudade d´esse mundo perdido (idem, p. 229). Nota-se, tanto em Ega como em Alencar, um tom de lamento: no primeiro por uma cidade do presente que não pode ser como suas pares européias que lhe servem de modelo (Paris e Londres); no segundo, por uma Lisboa que outrora fora signo do verdadeiro Portugal. Em ambos o desalento é um dado comum. A crítica de Ega diagnostica uma cidade doente que precisa encontrar sua própria cura e o memorialismo de Alencar evoca, com suspiros, um passado irrecuperável. Nesse emaranhado de leituras, Eça busca encontrar, seja pela memória, seja pelo imaginário de uma cidade em permanente mudança, a identidade de Lisboa.

http://osmaiasdeecadequeiros.blogspot.com/

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All Comments (6)

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  • A música chama se Madredeus - O Pastor

  • Como se chama a música de abertura? :)*

  • Oi Elaine. Há outro vídeo com esta abertura?

    Ou somente a abertura em separado?

    Obrigada.

  • Olá Elaine, espero que esteja tudo muito bem consigo!

    E Ironia do Ega - fantástica! lol

    Obrigado por mais estes grandes e belíssimos vídeos.

    Bjs

  • obrigada! MIl obrigadas!! =)

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