KIZZISTRIKININA
(Federico García Lorca "captura e morte" + Rodrigo Cristo)
Às cinco horas da tarde.
Eram cinco da tarde em ponto.
Um menino trouxe o branco lençol
às cinco horas da tarde.
Uma esporta de cal já prevenida
às cinco horas da tarde.
O mais era morte e somente morte
às cinco horas da tarde.
quis estriquinina, com chá e bolacha
O vento levou os algodões
E o óxido semeou cristal e níquel
Já lutam a pomba e o leopardo
E uma coxa por um chifre destroçada
Começaram os sons do bordão
Os sinos de arsênico e a fumaça
Nas esquinas grupos de silêncio
E o touro com seu coração vermelho e louco!
Quando o suor da neve escorre do rosto
chegando
quando a praça se cobriu de iodo
a morte botou ovos no cancer
às cinco horas da tarde.
Às cinco horas da tarde.
Às cinco em ponto da tarde.
Um ataúde com rodas
às cinco horas da tarde.
Ossos e flautas
às cinco horas da tarde.
para frente mugia
às cinco horas da tarde.
e o quarto agonia
às cinco horas da tarde.
De longe já se aproxima
às cinco horas da tarde.
Trompa de lírio
às cinco horas da tarde.
As feridas queimavam
às cinco horas da tarde.
e as pessoas nas janelas
às cinco horas da tarde.
Kizzistrikinina,
(sai baby da chuva de mel)
Shine, da tua sombra
(sai baby da chuva de mel)
Link to this comment:
All Comments (0)