Parte 14 de 14 - Primeiro Encontro dos Presidenciáveis - 17.7.1989

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Uploaded by on Sep 7, 2010

As eleições de 1989 foram as primeiras desde 1960 em que os cidadãos brasileiros aptos a votar escolheram seu presidente da república. Por serem relativamente novos, os partidos políticos estavam pouco mobilizados e vinte e duas candidaturas à presidência foram lançadas. Essa quantidade expressiva de candidatos mantém o recorde de eleição presidencial com mais candidatos. Foi também a primeira eleição na qual uma mulher disputou o posto mais elevado da República -- Lívia Maria do Partido Nacionalista (PN).

Como nenhum candidato obteve a maioria absoluta dos votos válidos, isto é, excluídos os brancos e nulos, a eleição foi realizada em dois turnos, conforme a então nova lei previa. O primeiro foi realizado em 15 de novembro de 1989, data que marcava o centésimo aniversário da proclamação da República, e o segundo em 17 de dezembro do mesmo ano. Foram para o segundo turno os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva, da coligação encabeçada pelo Partido dos Trabalhadores, e Fernando Collor de Mello, da coligação encabeçada pelo hoje extinto Partido da Reconstrução Nacional.

O nível de entusiasmo era grande, com artistas participando ativamente da campanha de Lula, cantando o hoje célebre jingle "Lula Lá" no horário reservado à propaganda eleitoral do candidato. Outros, como Marília Pêra, preferiram apoiar à candidatura de Fernando Collor de Mello e foram duramente criticados mais tarde, durante seu processo de impeachment.

Durante o segundo turno, um pool de emissoras (Rede Bandeirantes, Rede Globo, Rede Manchete e SBT) realizou dois debates entre os candidatos. Durante a edição do Jornal Nacional do dia seguinte ao segundo debate, foi apresentado um compacto editado de tal forma a fazer o telespectador crer que o candidato do PRN tivesse se saído melhor do que o do PT. Tal fato foi visto como uma ação de favoritismo político a Collor, que até então mantinha um relacionamento forte com Roberto Marinho, dono da Globo.

Muitos atribuem a vitória de Collor na eleição devido a este fato em específico. Mas também há outros que influenciaram o voto do eleitor, como a revelação que a campanha de Collor fez sobre a existência de uma filha que Lula teve fora do casamento. A ex-namorada de Lula participou da campanha de Collor, denunciando aos eleitores que Lula mandou-lhe fazer um aborto e que lhe tinha confessado que odiava negros. Há, entretanto, quem defenda que a simples "inexperiência" de Lula o fez perder a eleição.

Participaram do debate os seguintes candidatos: Aureliano Chaves (PFL), Paulo Maluf (PDS), Lula (PT), Brizola (PDT), Afonso Camargo (PTB), Ronaldo Caiado (PSD), Afif Domingos (PL), Mário Covas (PSDB), Roberto Freire (PCB). Collor (PRN) e Ulysses Guimarães (PMDB) não aceitaram participar.

Além dos âncoras Fernando Mitre, José Augusto Ribeiro e José Paulo de Andrade, outros jornalistas também participaram do debate: José Carlos Bardawil, André Singer, João Sampaio, Luiz Augusto Falcão, Mara Ziravello, Marcelo Bauer, Marco Damiani, Edison Brener e Alex Solnick.

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  • @independoente Concordo com você, os debates eram mais espontâneos. Os candadatos sentados como se estivessem numa mesa redonda, meio que papeando. Note que o muro de Berlin ainda não havia caído, e ninguém supunha que cairia. Nota-se bem quem era esquerda e quem era direita. Foi um grande debate. Pena que o principal candidato, o Collor, não tenha tido a coragem de aparecer. Ele mesmo revelou depois que o maior medo dele era o Brizola. Realmente, Brizola detonava qualquer um...

  • O ponto positivo do debate foi a presença de vários candidatos, com posições políticas bastante diversas, o que enriqueceu a conversa. Em 2010 os debates contaram com apenas 4 dos 9 candidatos, algo lamentável.

    O ponto negativo foi a desorganização, principalmente por causa do desrespeito dos candidatos às regras do debate, mas também pelo fato de ter sido o primeiro debate entre presidenciáveis da história brasileira.

  • Os candidatos falaram muito sobre economia e pouco (ou nada) sobre educação, saúde e segurança. É compreensível, uma vez que o país vivia uma grave crise econômica. Logo, os candidatos trataram de discorrer sobre o que mais interessava ao eleitor naquele momento: o bolso. Por isso, debateu-se muito sobre salário, inflação e dívida externa.

  • Demorou, mas assisti todas as partes. Obrigado, FebrabanBC, por disponibilizar esse debate.

    Mário Covas declarou a posição favorável do PSDB em relação às privatizações. Hoje o partido continua com esse pensamento, mas não admite.

    Lula defendeu a intenção do PT em fazer a reforma agrária, mas seu governo deixou muito a desejar nesse ponto.

    Brizola apresentou as melhores idéias, sobretudo quanto à soberania nacional e o papel no Estado na melhoria das condições de vida da população.

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