O curta-metragem de Jorge Furtado realiza uma sátira de conteúdo político através da paródia dos formatos audiovisuais. A narrativa conta a história de um episódio verídico ocorrido durante o massacre ao arraial de Canudos, em fins do século XIX, quando um canhão descomunal (a "matadeira") foi comprado na Inglaterra pelo governo brasileiro e transportado do litoral até a região do conflito no interior do Estado da Bahia. A matadeira lança uma interrogação sobre os significados da guerra de Canudos e os motivos que teriam levado o Estado republicano a massacrar mais de trinta mil camponeses. As respostas, no entanto, são apresentadas na forma de paródia de formatos clássicos do audiovisual: uma entrevista com um "especialista" que fala sobre as condições sócio-econômicas de formação do arraial, falsas imagens de época reproduzem um discurso presidencial sobre Canudos, uma biografia do Antonio Conselheiro na forma de docudrama, um documentário com depoimento de um camponês gravado no próprio arraial, entre outras paródias. A cada quadro, no entanto, o curta aponta para a impossibilidade explicação do fenômeno histórico, reiterando que a barbárie da guerra e do massacre não são apreensíveis pelos vários discursos que construímos para interpretar e dar sentido à experiência humana. A sátira, a princípio, parece atacar, pelo conteúdo, as elites e as ações militares do Exército brasileiro no contexto da guerra de Canudos, no entanto, o tratamento da matéria histórica pela paródia atinge o pretenso estatuto de verdade construído por certas modalidades de produção audiovisual.
Os trechos citados no final do vídeo 13:00 é do livro Os Sertões?
Spli11 1 week ago
Mas o Pedro Cardoso tá igual a Maria Bethânia de Antônio Conselheiro! dhuashdau
paolagiovana 7 months ago