AMÁLIA RODRIGUES - Lisboa, 23 de Julho de 1920 — Lisboa, 6 de Outubro de 1999
Aqui fica uma pequena homenagem minha, com Ary dos Santos a declamar, da sua autoria, o poema Retrato de Amália e, também, Amália Rodrigues cantando Faz-me Pena, poema da sua escrita.
RETRATO DE AMÁLIA
És filha de Camões, filha de Inêz
Assassinada voz de portuguesa
Cantando a nossa imensa pequenez
Com laranjas e gomos de tristeza!
É no claro Mondego dos teus olhos
Que se debruça o mal da nossa mágoa
Ao Tejo dos teus gestos que se acolhe
O nosso coração a pulsar água!
Falando desatada de saudade
Choras um povo, cantas a balada
Mais bonita que soa na cidade
de Lisboa, por ti apaixonada.
FAZ-ME PENA
Que culpa tem o destino
Deste destino que eu tenho
Se o desgosto é pequenino
Eu aumento-lhe o tamanho
É meu destino
Se o desgosto é pequenino
Eu aumento-lhe o tamanho
Se o desespero matasse
Eu já teria morrido
Talvez alguém me chorasse
Talvez o tenha merecido
Talvez alguém
Talvez alguém me chorasse
Talvez o tenha merecido
Sinto que cheguei ao fim
Das ilusões que não tive
Porque alguém gosta de mim
Algo de mim sobrevive
Cheguei ao fim
Mas se alguém gosta de mim
Algo de mim sobrevive
Adeus que chegou a hora
Há muito a venho esperando
E se por mim ninguém chora
Faz-me pena e vou chorando
Já vou embora
E se por mim ninguém chora
Faz-me pena e vou chorando
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