AUTO REDENÇÃO NÃO EXISTE! (POEMA NA DESCRIÇÃO)

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Uploaded by on Oct 8, 2010

AUTO REDENÇÃO NÃO EXISTE!

Com seus cabelos em minha mão...
...chorei como um pobre demônio.
Enfurecido, cego então!
Fui eu, há dar-lhe o empurrão.

As escadas, rolou sem reação.
Não pretendia seu falecimento.
Ao ver a poça de sangue ao chão,
te perdi em eterno tormento.

Eras minha, eras linda, eras tudo...
Tão doce, voraz, sagas.
Eras todo o meu mundo.

Poço profundo...

Parecia uma pétala de rosa.
Inerte, olhos abertos ao pé da escada.
Chorei ao ver seu vazio,
estirada como uma qualquer no chão frio.

E agora a quem pedir socorro?
Não há remédio para esta perda.
Eu fui o culpado me achando dono!
Eu fui o egoísmo sem pena.

Trabalhei para Uriel...

Minhas lágrimas, agora escorrem,
sobre seu rosto azulado...
Há dias elas não cessam,
há noites elas não morrem.

O sono se afasta.
Não pude pedir perdão.
Te joguei sem dó em ira nefasta.

Cataclisma da alma...

Pedi perdão ao que apodrece.
Se desfaz em minhas mãos.
Senti teu rigor mortis,
depois a flacidez do inchaço...

Sinto seu cheiro de rosas esvair,
dando lugar à carniça em odor.
Mesmo assim não te deixarei partir,
e morrerei ao seu lado, seco de mim,
auto redenção que não existe...
...na angústia do arrependimento,
me odiando a cada falta de ar,
em nome do meu egoísmo e do seu amor.

Os dias se passaram, lentos ao descaso...
Você jaz ainda no meu colo.
Peço perdão há cada sopro de mim.
Nenhuma palavra, ou sinal ao acaso...

Apodreço contigo em castigo...

Queria-te tanto que te joguei,
empurrei meu bem-querer.
Não posso me auto-redimir!
Não foi sem querer.

Você jamais me perdoará...
Sinto seu silêncio gargalhar.
Sinto sua alma em paz,
enquanto a minha, se desfaz.

Te seguro na ilusão,
de não permanecer em eterna solidão.

Frágil é meu corpo,
lastimável minh'alma...
Horas, sereno ao chorar sobre sua podridão,
Horas, gritando teu nome e perdão, perco a calma!

Desespero e morte lenta.
Abrigo minha esperança neste lugar.
Onde aguardo seu perdão.
Mas já sabendo jamais descansar.

Mesmo que a morte me apanhe,
nem assim terei a sua paz.
Te invadi, te perdi em vexame...
...e a maldição será o meu algoz,
na eternidade de não ter seu perdão,
sequer, de poder me dar a auto redenção.

Dani.'. Maiolo

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