AFINADOR DE NUVENS
Passo as horas a afinar nuvens,
a ouvir-te trovejar nas veias.
Desde que me embargaste o corpo
com a tempestade,
nunca mais me aproximei de mim.
O céu ficou senil,
gesticula apenas uma miserável nódoa de paraíso
onde componho sinfonias com veneno.
A cabeça estremece,
tenho a memória raptada por sonetos indígenas.
Esfuziante o teu rosto desarruma o ódio.
Atravesso a pólvora, estrangulo o nevoeiro.
Na leveza do silêncio a garganta dorme.
A peregrinação de cactos
nunca impediu nada.
E ali estás tu,
o catálogo de precipícios
que não esqueço.
O coração é um relâmpago
a legendar cicatrizes.
3º lugar no prémio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero-Americana entre 3027 obras inscritas de 26 paises.
Um belo poema a que a voz dá mais força! Parabéns !
Dina Correia
encostadomar 9 months ago