da janela de uma casa sem paredes, vê-se uma árvore e seus pássaros, ressoando nos escombros do que costumava ser um quintal. a garagem ainda avisa que está em uso, mesmo que não haja ninguém para estacionar por ali, a não ser as máquinas e os catadores de papel e sucata. o comum agora são os tratores e os homens de capacete, destruindo e construindo tão rápido que a paisagem de um dia não é a mesma de outro, apesar de ser tudo parecido. em tons de marrom e cinza, o quarto, a sala e a cozinha. e se essa casa fosse minha?
hoje eu acordei com o canto dos pássaros e senti neles o mesmo desespero que há em mim: meus gritos por socorro não passam de ininteligíveis, destinados a ninguém além do vento.
Avenida Antônio Carlos, 25 de agosto de 2009
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