Viva a Vida: Herbert Daniel, o Amor e a AIDS nos anos 80 - Parte 3 de 3 - TV Manchete, 1988

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Uploaded by on Oct 24, 2010

"Herbert, nome de pia e registro; Daniel, nome de guerra que pegou. Estudante de Medicina na UFMG; 1,64m; crítico de cinema no rádio, Belô; dispensado do exército (regular) por insuficiência física (miopia? pé-chato?); autor de teatro estudantil; cabelos muito enrolados, olhos castanhos e semicerrados, chato nariz; vice-presidente do DCE da UFMG; gordinho; militante sucessivamente da Polop, Colina, Var-Palmares e VPR; clandestino durante seis anos, sem nunca ter sido preso; homossexual, já não mais clandestino; assaltante de banco, puxador de carro, planejador de sabotagem, guerrilheiro em Ribeira, seqüestrador de embaixador (em número de dois), remanescente; leitor, sempre, sempre; escritor de panfletos, aprendiz de ginasta; tímido não dançarino; jornalista em Portugal, em revista feminina; em Lisboa, estudante de Medicina reincidente; casado com homem, claro, homossexual; calça 39, usa 40; massagista, garçom, caixa, leão-de-chácara, gerente, porteiro de saunas de pegação de viados, em Paris, capitale de France, voilà; discurseiro, falador trilingüe inveterado, pensante tanto quanto, com sotaque - não se nasce em Minas impunemente. Descoberta de saber fazer quase nada de quase tudo: ocupação de vagabundo. Penúltimo exilado em Paris: escapou da "anistia". Sem indulto (escapou por insulto), foi prescrito : reparou em vida alheia. Escritor."
O texto nos apresenta o resumo até o momento em que Herbert Daniel consegue a permissão do governo brasileiro para retornar ao Brasil. Após este longo período de exílio pátrio imposto pelo regime militar, Herbert Daniel desenvolveu projetos políticos, ministrando palestras sobre a questão homossexual e cidadania baseadas em sua vivência na clandestinidade política e exílio. Suas reflexões políticas e seu conjunto de propostas vanguardistas abordaram temáticas tabus, dando início ao debate sobre as relações políticas até então consideradas "menos importantes", como a homossexualidade e o machismo. Uma de suas propostas foi a inclusão da temática homossexual como pasta de discussões nos partidos de oposição que se organizavam após a abertura política. Avaliou a possibilidade de um diálogo político sobre a homossexualidade, homofobia e suas sequelas como suicídio e solidão. A questão do reconhecer a diferença, cimento básico da democracia, até então à parte da política vigente.
Em 1986, candidatou-se a deputado estadual pelo PT do Rio de Janeiro, não obtendo votação suficiente para sua eleição. Participou da formação do Partido Verde junto Fernando Gabeira, Alfredo Sirkis e outros ex militantes e exilados do período da ditadura militar.
Logo quando surgiram as primeiras manchetes sobre uma terrível doença que estava ceifando a vida de diversos gays norte americanos, Herbert Daniel precocemente identificou o fenômeno social acerca do novo vírus: a disseminação da linguagem preconceituosa, discriminatória e alarmista, prenúncio da disseminação de um outro vírus ideológico muito mais funesto que o próprio vírus biológico da aids, fenômeno social que Herbert Daniel intitulou como a terceira epidemia. Sua obra literária começou a abordar este aspecto temático antes mesmo de Herbert Daniel descobrir que era portador do vírus HIV. Seu romance "Alegres e Irresponsáveis Abacaxis Americanos" apresenta como trama do enredo personagens que sofrem discriminação por serem portadores do vírus da aids.
Apesar do anacrônismo de seu enfoque acerca das nuances sociais da doença, o marco para o quarto exílio vivenciado por Herbert Daniel inicia-se no momento em que descobre que estava contaminado pelo vírus da aids. Esta terrível constatação veio através de uma consulta com um médico acadêmica e humanamente despreparado a dar o resultado de sua soropositividade. Sua determinação e sua força para lutar por cidadania em prol dos portadores do HIV advieram dos quarenta segundos de perplexidade após esta consulta. Esta crônica relatando sua reflexão sobre esta passagem foi relatada reflexivamente por Herbert Daniel em dois de seus livros e o levou a fundar o Grupo pela VIDDA - Valorização, Integração e Dignidade do Doente de Aids.

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  • Obrigada a quem colocou isso aqui, seja lá quem for! Registro emocionante dos melhores amigos que tive; que saudade! Pelo menos nesses vídeos posso vê-los falando, andando, e sendo generosos (como seeeeempre foram). PARABÉNS pela iniciativa! Não lembrava que o Emílio tinha sido o responsável pela gerência da produção... que coisa...Grande Monica Teixeira...

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