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Quilombo do Rio de Janeiro - Vídeo 8_1

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Uploaded by on Oct 26, 2008

TRADIÇÕES CULTURAIS E OUTRAS QUESTÕES ATUAIS

O quilombo abrigava comunidades com características culturais singulares.
O manejo agrícola, a culinária, as técnicas com ferro e cerâmica, a pesca
de subsistência, a caça, a criação de gado e galináceos, a construção das
habitações, a estrutura defensiva, as rezas, feitiços e as ervas medicinais,
compunham o mosaico de uma herança cultural ativa e funcional, que de
certo se ampliava com outras tradições como a música, a dança, as
práticas religiosas e a oralidade, tão presentes entre os africanos.

O espírito do escravo era um território livre e indomável. Folias de reis,
jongos, congadas, lundus, maracatus, capoeira, batuques e outras formas
de expressão se arrastavam para os confins das matas, onde se erguiam os
quilombos, como bens materiais e imateriais de primeira grandeza.




Essas formas culturais, que no meio urbano e no entorno da casa grande se
manifestavam no limite da parcimônia; no ceio da floresta, ao redor da
fogueira, onde se partilhava o milho e o aipim assados, e sob a cumplicidade do luar, explodiam em esplendor com uma energia atávica,
envolvente, carregada de sentidos ancestrais que perpassavam cada
homem, cada mulher, os pretos e pretas velhas e as crianças, dando um
sentido comunal à vida que só as pessoas livres podem compreender.

As manifestações que ainda existem entre os remanescentes de quilombos,
mocambos e senzalas, podem ser consideradas autênticos tesouros que, de
modo audaz resistiram num tempo e espaço de poucos diálogos.

No estado do Rio de Janeiro existem diversos grupamentos de
descendentes de escravos, a maioria isolada dos grandes centros e vivendo
em condições bastante precárias. O que distingue esses grupos são as
relações de parentesco de longo tempo, a saga comum com a escravidão e
um histórico atávico de ocupação da terra ao longo do tempo que durou o
martírio e mesmo depois de decretada a Abolição.

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