Desde pequeno me achava um gênio / Mas de pequeno fui abandonado, negligenciado numa corda bamba / E hoje eu choro um samba para que você, Doutor / Você, que me dotou de tantas mágoas / Para que você, enfim, me traga um gesto breve / Um sorriso leve e protetor / De orgulho e/ou amor / E eu, que sempre fui sentimental, amargurei tanta porrada / É... / Que hoje, quase nada é suficientemente triste pra arrancar-me uma lágrima / Só porque você, doutor / Você secou o peito que te adimirava / Você que apontou o dedo frente à minha cara / E sem vacilo me chamou / Decepção e/ou perdedor / É, Doutor, a gente pula cada enrascada / Foge se é emboscada / Se racha na encruzilhada o tempo todo / Para que no fim, Doutor / Enfim você dispare o tiro de misericórdia / Você, que adotou ser caçador de mim / Sem bala de festim, você, Doutor / Diz que me caça por amor / Diz que me mata por amor / Diz que não ama por amor.
Link to this comment:
All Comments (0)