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Antonio Carlos Villaça - O Nariz do Morto

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Uploaded by on Mar 13, 2009

Fragmentos do documentário "Villaça- o nariz do morto"

Direção: Eliane Terra e Karla Holanda

20': 1994; Rio de Janeiro.


Antônio Carlos Villaça nasceu em 1928, no Rio de Janeiro. Desde cedo devorava livros na "aventura da cultura", mas profissionalizar-se foi impensável. Decidiu ser monge, "ser monge para ser santo". Sofreu. Desistiu. Viajou. "Sempre quis partir." Foi aprendiz de frade dominicano. Também não ficou, como também não ficou no Seminário, porque seu destino "flutua" e novamente viajou. Não quer a vida medíocre. "Ser medíocre é ficar, é chegar e não partir. Toda estabilidade é medíocre".

O documentário é baseado em textos do livro "O Nariz do Morto", de Antônio Carlos Villaça, e conta com depoimentos do crítico André Seffrin e do escritor Alexei Bueno, além do próprio Villaça. O ator Ricardo Maurício interpreta o escritor na crise espiritual quando, na curva dos 20 anos, entra no Mosteiro São Bento e "passeia suas inquietudes em flor pelo pátio", mas não teve a certeza pacificadora de que o lugar era aquele, até sair e partir...".

"Villaça - O Nariz do Morto", traz pensamentos e reflexões do intelectual que sempre quis "compreender o mundo com nitidez ."

"Ó dias, ó noites, ó vermes, que perfurais em nós a essência nossa. Que essência? Que vermes? Ó países em nós soterrados, ó escombros, ó múmias, ó gigantes mutilados, terras absurdas e quietas, colinas, mausoléus, incógnitas e nós, bichos da terra, pitorescos, à procura".

"A vida é numerosa. E então os sinos súbito anunciam em nós a morte, que virá. A morte vem. Cada dia, a morte vem".

"A fé religiosa como que me assaltou.Vi-me subjugado pelo entusiasmo. A vida de rapaz que amava as letras e sabia de cor os seus poetas preferidos, a vida simples, descuidada, solitária, tantas vezes, de um rapaz estudioso (e reto) ganhou esse frêmito novo e desconhecido, essa audácia, essa loucura, essa vibração absurda".

"Eu gostava das sublimidades. Eu queria as grandezas. Eu sonhava com alturas límpidas. Eu queria as nuvens. Muito menos, o duro chão dos homens".

"Ó paredes, dizei-me. "Eu quero a estrela da manhã!". Dizei-me o endereço dela. Ó sala capitular, ó claustros, ó antifonários com iluminuras, ó sinos brônzeos, estatuazinhas, capitéis, afrescos, casulas, pesadas estalas, pedras, faces, madeiras e ouro, tapetes, cálices, relicários , retábulos e móveis, crucifixos e virgens, falai! Um sussuro que nos chegue. Que monólogo é este, dia e noite entretido? Sombras, sombras, sussurai-me, segredai-me. Todo esse passado, esse peso, essa pátina, pureza, pecado".

"O homem morre para sempre. O abismo da morte não devolve ninguém. E então, lentamente, fui percebendo que só nos resta uma atitude, menos que atitude, uma postura - a tranquila dignidade de quem sabe e não se desespera".

"Ó interminável estrada, ó ruas do mundo, ó caminhos da vida, ó rio dos homens por onde incessantemnte rolamos como gloriosos destroços!".

"Ó caminhante sombrio e só! Sempre sentiste o efêmero de tudo. Nunca pousaste, nem repousaste em nada. Nunca tiveste sossego. Foste sempre um peregrino em perigo".

"Isto é apetecível, uma casa, com mulher e meninos, para a noite do homem. Nunca terás isto, ó incauto viajante, ó ser noturno, abandonado e trágico, nunca terás o limpo sossego dos homens. Não o terás, porque o recusas, ó louco, ó orgulhoso, ó só. Não conhecerás nunca a meiga tranquilidade dos serões sem agitação: viverás como um condenado, sem casa, entregue à nostalgia do paraíso absurdo, sem chave, sem nada. Caminharás sem fim. Nunca chegarás".

Música:

Erik Satie
"Gnossienne No. 1"
Piano: Michael Nyman

"Elegies for Kings and Princes"
Gregorian Chants

Memória Produções

Direção, Roteiro e Produção: Eliane Terra e Karla Holanda

http://www.emfocomultimidia.com.br/villaca.htm

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  • Onde eu posso conseguir esse documentário? Com quem posso entrar em contato?

  • @rogerioparj

    O documentário não está disponível para venda, mas vou lhe enviar o e-mail das responsáveis.

    Um abraço.

  • Maravilha de iniciativa. Não sabia do documentário. Alguma idéia de onde posso consegui-lo? Abraço e muito obrigado.

  • Fernando de Morais,

    Muito obrigada.

    Eu não sei se o documentário já está disponível em DVD, mas enviei-lhe uma mensagem com o e-mail da Eliane Terra.

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All Comments (6)

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  • qual é este caminho que nos separa

    através do qual eu retenho a mão do pensamento

    uma flor está escrita ao final de cada dedo

    e o final do caminho é uma flor que caminha contigo. (Tristan Tzara)

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