Música PRETO do CD NUANÇAS de Sidney Mattos, lançado em 2009. O poema, recente, é de Ivan Wrigg.
PRETO
Que conceito temos de tudo?
Onde se esconde o vazio?
Nossos olhos cegos seguem a luz do que não tem fim.
Onde a cor nos falta?
O que nos move a buscar o infinito?
A noite nunca nega o romper da aurora.
Como a plenitude se faz lúcida e indecifrável?
O princípio de tudo é PRETO
A ausência está repleta de si mesmo.
Preto completo.
A negritude se espalha na tela sem fundo.
Negra dança.
Preto é o ser, a essência não lapidada,
anterior a qualquer palavra.
No seu brilho de elucidar, de se contrapor à luz,
vivo como seu próprio reflexo,
engolindo o espelho:
PRETO é realce.
O momento imediatamente anterior
ao encontro absoluto é Preto,
como o é o mais profundo silêncio
e tudo o que decifra seu útero.
Preto é mistério,
é a quietude que gesta o vulcão,
buraco negro que gera galáxias - ninho de estrelas --
Preto é sensualidade:
Preto pele, clausura.
Preto raça.
No compromisso com a dor,
No compromisso com a luta.
Preto é o Negro,
- alma sagrada, gesto profano -
não o que discrimina,
como a teimosia e o vício
de permanecer escravo em seu âmago.
A liberdade não tem cor
e toda ausência aprisiona.
Preto palavra
Preto síntese
Preto é luto
Preto no branco e seu inverso:
cinza, na foto sem nitidez
Preto véspera, porta-bandeira do arco-íris
Preto que abraça cada nuance,
Do doce marfim ao mais pungente púrpura do poder;
que se esvai em rubro - quase negro -
no sangue derramado.
Preto é magia, renascimento,
na grandeza de não querer ser tudo.
O destino de semente a desvelar o mito
É regresso ao berço,
à Terra, seu gueto!
O fim de tudo
É PRETO.
Link to this comment:
All Comments (0)