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FALTOU O PÃO

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Uploaded by on Oct 9, 2011

Este Programa IDEA Especial da série Faltou o pão, da continuidade as comemorações dos 4 anos de transmissões do Programa IDEA, pela Unitevê - Tevê Universitária de Niterói. Na realização deste Especial, contamos com a presença do jurista advogado e professor João Luiz Duboc Pinaud; do psicanalista e escritor Adail Ivan de Lemos; do advogado, Coordenador Jurídico do Programa IDEA e Diretor Geral da ESA Escola Superior de Advocacia da Ordem dos Advogados do Brasil OAB/Niterói Fernando Dias; do professor e jornalista, Coordenador de Educação do Programa IDEA e Vice Presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro COMDEDINE-Rio Helio dos Santos.

As câmeras foram operadas por Flávio do Nascimento e Jorge Campos.

O Brasil foi colonizado e sofreu a mais longa ditadura empresarial/militar da América Latina. Boa parte das empresas transnacionais beneficiadas nesse período se mantém funcionando até hoje. Esse impacto na história do Brasil ainda será sentido por décadas, em decorrência de uma série de retrocessos como, por exemplo, o de não taxar as remessas de lucros para o exterior. Dentre os governos de países desenvolvidos que não permitem o envio, para o exterior das riquezas gerada em seu território, podemos destacar a Hungria. Tudo que se ganha na Hungria, na Hungria deve ser aplicado.
A taxação da remessa de lucros das empresas para o exterior poderia ajudar e muito a saúde e a educação do povo brasileiro, bem como a taxação das grandes fortunas.

Cotejando povos que conhecem a sua história e por isso se revoltam na defesa dos Direitos Humanos, com os americanos que vem se manifestando com o slogan "Ocupem Wall Street" os "indignados" como se auto intitulam, contrários a crise da globalização neoliberal que afeta o bolso deles. É oportuno lembrar que o sistema capitaneado por governantes e banqueiros, foi até hoje apoiado pela maioria esmagadora dos americanos, indignados ou não. Os EUA chafurdaram com os gastos militares. Segundo estimativas de especialistas, os gastos do Pentágono nas guerras do Iraque e do Afeganistão são de 130 milhões de dólares por ano. Se este montante fosse aplicado em educação, poderia se criar 900 milhões de postos de trabalho ou 780 milhões na saúde.

Não seria a hora de se questionar o modelo comunicação criado por eles e que foi adotado no Brasil? Os jornais só começaram a noticiar o movimento dos indignados depois de semanas, quando eles já estavam acampados em várias regiões e a deturpação é grande. O que chega por aqui através de poderosas agências de notícia questiona a falta de "pleito específico". Para quem tem olhos para enxergar e ouvidos para ouvir, o pleito dos indignados é umbilical como toda a classe média. E o modelo capitalista global neoliberal pretende eliminá-la, para usar apenas os miseráveis em um sistema que se confunde com o escravocrata. É lamentável notar que muitos dos indignados jamais se tornarão os revoltados de Camus, aqueles que lutam para que todos tenham direitos iguais, até porque alguns dos indignados só lutam para manter o status quo que passa de pai para filho. Certamente esses indignados não sabem que as transnacionais americanas instaladas no Brasil, utilizando mão de obra barata, tem mandado sem qualquer taxação seus lucros para a matriz. De dois em dois dias, cerca de dois bilhões de dólares vão para pagar contas dos EUA com guerra, socorrer empresas consorciadas, etc.

A informação correta se faz necessária até para que os americanos revoltados ajudem a humanizar os americanos indignados. Sabemos que só assim, combatendo a mentira repetida, como bem ensinou Goebels, até a sua exaustão, os indignados podem ganhar força como os revoltados que se mobilizam na Grécia, em Portugal e no Chile, todos com identidade, com rostos e coragem para apontar os reais motivos dessa crise. A crise do modelo capitalista excludente global.

O mundo está sendo afetado pela ganância de banqueiros e empresários organizados em projetos globais como, por exemplo, a construção de estádios para jogos olímpicos e copas; financiamento de invasões e de guerras; endividamento do cidadão desinformado que coloca uma corda no pescoço e se enforca em dívidas sobre dívidas.
A globalização estaria pondo em prática o velho plano de reduzir o mundo a ricos e escravos?

Seguindo essa temática, a dos Direitos Humanos, propomos voltar ao núcleo, visando tratar das ocupações militares e policiais em favelas do Estado do Rio de Janeiro que não levam em conta os direitos humanos, iniciaremos este Especial, exibindo o filme em fase de produção, intitulado Por 70 dinheiros que aborda uma dessas ocupações, a do Complexo do Alemão.

André Moreau
Jornalista
Diretor do Programa IDEA

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