Quilombos do Rio de Janeiro - Abertura

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Uploaded by on Oct 25, 2008

QUILOMBOS NO RIO DE JANEIRO O desenvolvimento das monoculturas da cana-de-açúcar e do café no Rio
de Janeiro e São Paulo, associado à extração de ouro e diamante em Minas
Gerais intensificou o tráfico de escravos. Os tumbeiros, como também eram
chamados os navios negreiros devido às muitas mortes que costumavam
ocorrer durante as viagens, aportavam nos portos das cidades do Rio de
Janeiro, Cabo Frio, Mangaratiba e Paraty. As revoltas, as fugas, os suicídios
e o banzo se sucediam, mas não se concebia outra forma de trabalho que
não fosse com os braços dos africanos e seus descendentes.




O Rio de Janeiro se transformara num importante centro de negócios. Em
1873, mesmo com os ingleses já tendo proibido Portugal de praticar o
tráfico negreiro, a população de escravos era de 300 mil no interior do
estado e de 47 mil na capital.
Os mocambos eram povoações muito parecidas com as que existiam na
África e se multiplicavam, possibilitando uma nova vida para os escravos
africanos e os escravos brasileiros.




Os negros que escapavam do cativeiro eram acolhidos e integrados aos
mocambos. Havia um incentivo permanente para essas fugas, não só pelo
caráter libertário da ação, mas, sobretudo, pela necessidade de sobreviver
com dignidade e de construir um olhar sobre o mundo amparado pelas
cores da liberdade.




Se não existiu uma concentração de mocambos que indicasse a existência
de um quilombo com as dimensões do Quilombo de Palmares, pode-se
dizer que o território do Rio de Janeiro abrigava, naquela época, um imenso
e desarticulado quilombo, que mesmo assim atazanava a ação das forças
de repressão organizadas pelo governo escravista e pelos fazendeiros.
Com o fim da escravidão, a cultura afro-brasileira se expande de maneira
pungente, os princípios dos quilombos introjetados ao longo dos séculos de
resistências se consolidam nos morros, favelas, espaços religiosos e
agremiações festivas, onde a ordem familiar ressurge com novas
características.

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