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Palimpsestos

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Uploaded by on Aug 26, 2011

Torna-te fã: https://www.facebook.com/pages/A-Cat-Named-Chanel/220013078009344



Título: Palimpsestos
Argumento: Anne Cotillard


"O amor torna-nos estúpidos. Insanos. Dementes. Delinquentes.
O amor transforma-nos em tudo aquilo que um dia dissemos que não seríamos.
Começamos por ser calculistas. Derrotistas. Anti-heróis.
Puros.
Mas impuros.
Miseravelmente miseráveis.
Somos fantasmas. Nada mais que isso.
Fantasmas de alguém. Alguém que não nós.
Porque o amor nos torna estúpidos. Insanos. Dementes. Delinquentes.

O amor traz-nos ilusões.
Fazemos filmes na nossa cabeça.
Pensamos demasiado ou esquecemo-nos de o fazer.
Desejamos o melhor mas esperamos o pior.
Porque o que queremos é bom de mais. Ou assim achamos. Ou assim confiamos.
O que queremos é perfeito aos nossos olhos.
Cada palavra.
Cada sorriso.
Cada olhar.
Cada toque.
Perfeição, ainda que imperfeitos.


O amor conhece barreiras, mas nós não.
(Ou será o contrário?)
Ser capaz de tudo por uma pessoa; acima de todas as coisas.
Tudo.
Há quem minta. Há quem diga a verdade.
Há quem mate. Há quem dê vida.
Eu escrevi uma história.
A mais bela das histórias.
E transformei-te em apenas mais uma personagem. Uma personagem que eu podia controlar. Não. Amar.

Primeiro deixaste de acreditar nos homens.
Depois no amor.
Fiz-te acreditar que o amor não existia. Depois que não podias viver sem ele.
Fui um monstro e depois o teu deus.
Esvaziei-te, reduzi-te a nada. E tu aceitaste.
Aceitaste porque eu era o teu criador. E sem mim tu já não eras nada.
Não sabias sentir algo que eu não escrevesse.
Não sabias amar algo que eu não te dissesse para amares.
Eras o meu brinquedo.
Eras a minha sombra.
E eu deixei de ser um fantasma.

ACTRIZ: Obrigada.
REALIZADORA: Obrigada porquê?
A: Por tudo.


Onde está a verdade?
Será que algum dia o teu amor será real?
Será que isso faz diferença?
Será que isso me faz diferença?

O amor é como um labirinto.
O amor é como uma prisão.
E a minha alma está fraca.
O amor deixa-nos doentes, sabes?
Ou loucos. Perdidamente loucos.
Não tenho mais ideias para histórias.
Adormeço todas as noites na esperança que um sonho me traga uma. Em vão.

Amor, o que será feito de nós quando não houver mais histórias para contar?"

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