Criminalidade na Grande Lisboa
Gangs lançam terror na Linha de Sintra
d.r.
Cacém (10/03/2008) - Assalto à Pastelaria X, às 20h23. Ataque de caçadeiras
Mão no bolso, olhar em volta. Passo lento até ao balcão. Silêncio de cortar. "O que é que vai ser?", arrisca o funcionário. Máscaras na boca, os capuzes na cabeça, rostos fechados. Não restam dúvidas. "Nada. É só um assalto", já de pistolas em riste. À cabeça da vítima. Os clientes reféns, uma mulher desmaiada, a registadora no chão. Cerca de 600 euros para quatro homens em fuga. Num minuto e meio. Mais uma das seis pastelarias roubadas, à mão armada, de 4 a 14 deste mês na Linha de Sintra. Tudo num raio de 5 quilómetros. Já a PSP estava na pastelaria X, Cacém, que o CM não identifica apesar do acesso à videovigilância, quando os quatro roubavam o café em frente.
Muitos "são miúdos, 17, 18, 19 anos". A expressão por detrás das armas não mente. E pouco passava das 20h20 de dia 10, uma segunda-feira, quando o bando saiu da pastelaria X e entrou no café em frente. "Já a polícia cá estava, ninguém deu por nada". Apanharam logo uma rapariga sozinha ao balcão, não chegou a abrir a boca e levaram-lhe tudo o que tinha. Quando conseguiu gritar já os quatro arrancavam num carro encarnado e que "toda a gente conhece", lamenta ao CM um vizinho.
Queluz, 7 de Março, 22h30. Quatro homens armados atacam a caixa da pastelaria Y em minuto e meio. O pânico instala-se ali mas também em Monte Abraão, "e praticamente ao mesmo tempo", por outro gang. Mas este de cinco. E com ameaças de morte. Recuamos três noites, até ao Cacém. Um casal de idosos, com um café pequeno no bairro da Anta. "Foi-se todo o dinheiro que tinham guardado para os fornecedores" e acabaram agredidos. "Estendidos no chão" do seu café.
Em Queluz, 7 de Março, os quatro entraram de caçadeiras em punho. Um de vigia à porta; outro de arma apontada à cabeça de uma funcionária; dois a salto por cima do balcão em direcção à caixa registadora. Lá dentro, sentados às mesas, um cliente quase não tira os olhos das linhas do jornal; outro conta moedas para pagar o café. "É preciso saber viver na Linha de Sintra, porque infelizmente para quem cá vive isto já é mais uma questão de hábito do que de outra coisa..."
A fechar, já no dia 14, última sexta-feira, uma pastelaria também em Queluz, mas agora na zona do Alto dos Moinhos. A sexta em dez dias, "indiferentes à videovigilância". Na prática, ninguém identificado nas imagens, zero detenções com recurso à videovigilância. As imagens a que o CM teve acesso, fornecidas pelas vítimas, dizem respeito a dois assaltos, desfasados em três dias, entre Queluz e o Cacém. Pelas roupas, sobretudo uma camisola às riscas e com capuz, é possível arriscar que pelo menos um dos assaltantes, jovem, ataca nestas duas pastelarias. Numa leva a pistola 6,35 mm; na outra chega de caçadeira em punho ao café.
40 ROUBOS NUMA SEMANA
Seis pastelarias em dez dias, apenas na Linha de Sintra, "só surpreende pela obsessão das pastelarias", garante uma fonte policial. Porque numa semana recente de prevenção da secção de roubos da Polícia Judiciária terão sido contabilizados "40 assaltos à mão armada", apenas na zona metropolitana de Lisboa. "Há comerciantes a querer fechar mais cedo, têm perdido clientela depois das 20h00. As pessoas têm medo de sair à rua", diz o dono de um café. "Por mais que se invista na videovigilância, com avisos à porta para as câmaras, eles entram de cara tapada e não demonstram qualquer receio -- parecem ter a sensação de total impunidade", lamenta o comerciante do Cacém.
São jovens dos bairros sociais .
em vez de estarem a discutir acerca da segurança no pais, voçes andam a tentar a descobrir qual é a "cor" dos assaltantes.
não é de admirar que este pais esteja na merda