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O ano era 1972. O local, Santos. Naquela
época sabia-se muito pouco sobre fabricação de pranchas aqui no Brasil.
Toda a informação chegava por intermédio de revistas importadas, filmes ou alguma prancha "gringa" que por ventura pintasse no pedaço. Para aqueles garotos surfistas, que traziam a cabeça cheia de sonhos,
qualquer garagem se transformava fácil, fácil numa fábrica de pranchas.O material no início era isopor, "shapeado" com o ralador
de coco, até se transformar em algo próximo a uma prancha de surf e depois laminado com resina epóxi. Antes da laminação a prancha era isolada com celofane e cola e a pintura era feita por cima da laminação com tinta automotiva ou resina poliéster tingida.A Shine já funcionava numa dessas garagens improvisadas, com uma "produção" de 4 a 5 pranchas mês e os compradores eram os próprios amigos que funcionavam como "cobaias" (pilotos de teste) e até ajudavam no acabamento das pranchas.Foi uma época mágica, uma época em que caminhar de Santos até o Tombo, no Guarujá, carregando pranchas muito grandes e pesadas, parecia fazer parte da festa da moçada.Ainda nos
anos 70, apareceram os primeiros blocos de poliuretano no mercado; Roger Foam (nacional) e Clark Foam (química importada expandidos no Brasil). Estes blocos facilitaram bastante a vida do shaper, mesmo
porque junto com eles chegaram por aqui as plainas (Skill) e os raladores de coco puderam ser postos de lado. O que ainda dificultava um pouco o trabalho eram as longarinas que precisavam ser substituídas
por longarinas mais grossas, porque as pranchas eram ainda muito grandes e pesadas, por influência dos filmes havaianos.Porém ,no final da década de 70, o circuito mundial começou a traçar sua rota por terras "brasilis" e aí começa a influência de shapers do mundo inteiro.
As pranchas grandes e pesadas vão aos poucos perdendo terreno para pranchas mais leves e manobráveis. Foi o começo da era das pranchi-
nhas por aqui.A Shine se orgulha de participar de todo esse processo
desde 1972. São 26 anos de shape, acompanhando a evolução do surf e
dos surfistas :Tinguinha Lima, Paulo Kid, Maicon Rosa, Douglas Lima,
Márcio Okumura, Márcio Orelha, Taiu, Zé Radiola, Neno, Paulo e
Amaro Mattos, Sylvio Mancusi, Wilson Nora e Jorge Pacceli são apenas
alguns exemplos de surfistas que já chegaram ao pódium com uma
Shine.Ao longo desses anos muita coisa mudou. O surf evoluiu, assim
como evoluíram as manobras, os surfistas e as pranchas. A cada dia
dezenas depessoas estão descobrindo o surf. São jovens, velhos, garotas que sentem-se inclinados a pegar uma prancha e desfrutar
a magia de deslizar sobre as ondas.A mídia muito tem contribuído.
Nunca, em nenhuma outra época, se divulgou tanto o surf como hoje
em dia. E aquela imagem do surfista "rato de praia", tornou-se coisa
do passado . A "indústria" do surf movimenta hoje milhões de dólares
(surf wear, acessórios, pranchas) que são consumidos não só pelos
surfistas, mas também por simpatizantes do esporte.
Age
26
Hometown
Guarujá - S.P
Country
Brazil