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A Rubra nasceu no dia 25 de Abril de 2008, o dia em que se celebra o aniversário da revolução portuguesa. Paul Valéry, o poeta francês, dizia que «a política é a arte de impedir que as pessoas se metam naquilo que lhes diz respeito». Uma revolução é exactamente o contrário, é esse extraordinário momento em que as pessoas decidem tomar a vida nas suas próprias mãos: onde e como vão trabalhar, onde vão viver, em que escolas os seu filhos estudarão Milhares, milhões de pessoas que vivem do seu trabalho e que durante anos, às vezes décadas, aceitam que tudo seja decidido pelos outros, passam, de um momento para o outro, a decidir eles próprios. Um parto difícil mas belo. Sebastião Salgado disse a Sérgio Tréffaut, no filme Um Outro País, que a maior diferença entre o Portugal de antes e depois de Abril era a felicidade das pessoas!
A Rubra é uma revista e um colectivo militante que vive da venda da revista e das quotas dos seus membros. A Rubra procura ser um instrumento de luta contra o capitalismo e por isso é na contradição capital-trabalho que encontramos a chave das vitórias sociais. A Rubra é feita por trabalhadores e estudantes e intelectuais. Não é uma revista «estratosférica», de temas que ninguém percebe, escrita por gente que ninguém entende. A clareza é uma exigência nossa. Aprofundamos os temas porque, como dizia Rosa Luxemburgo, «a ignorância da teoria é a mãe do oportunismo». Mas procuramos sempre fazê-lo de modo claro. A Rubra não é uma revista de «alta política», em que só a política pura e dura é que conta na Rubra não há assuntos tabu e todos os assuntos da vida do nosso povo são para nós importantes.
A Rubra é um instrumento de emancipação. É a revista de um colectivo que quer crescer para ajudar a transformar o País e o Mundo. Não somos utópicos, nem fantasistas. Para nós, utopia é supor que a sociedade humana pode continuar assente no lucro e na opressão. Ou julgar que se pode pôr fim à guerra, a 950 milhões de pessoas famintas, a milhões de desempregados, reformando o capitalismo. E pur si muove, dizemos, com Galileu, a todos os defensores do imobilismo. Ela, a Terra, move-se, apesar dos velhos e dos novos inquisidores. Contra a propaganda liberal, levamos na bagagem Marx e os marxistas e todos aqueles «que por obras valorosas», na teoria ou na prática revolucionária, «se vão da lei da morte libertando». Culpar o marxismo pela degenerescência soviética é o mesmo que culpar Darwin pelo nazismo, ou Einstein pela bomba atómica. O socialismo permanece um projecto necessário, um projecto de igualdade, de liberdade, para o qual queremos contribuir.
Country
Portugal