Este disco conta com as participações e composições dos Gaiteiros de Lisboa, Amélia Muge, José Mário Branco, Mário Raínho, Tózé Brito, Nuno Miguel Guedes e Jorge Fernando. É também a primeira vez que a fadista se aventura na composição com o tema 'Que Dizer de Nós'. "Leva-me aos Fados" trouxe a Ana Moura uma extensa digressão internacional que leva a fadista aos quatro cantos do planeta para actuar em algumas das mais prestigiadas salas internacionais. Mantendo paralelamente a digressão em Portugal, foi com este disco que Ana voltou a subir ao palco dos Coliseus para dois concertos especiais em que teve como convidada a Frankfurt Radio Bigband.
Neste trabalho, os fados tradicionais convivem com outros em formato canção e é nas letras que a fadista nos reserva algumas (boas) surpresas como no tema "E Viemos Nascidos do Mar" que conta com um poema de Fausto, Amélia Muge que lhe escreveu "O Fado da Procura", ou na sua escolha de um poema de Fernando Pessoa em "Vaga, no Azul Amplo Solta", do qual sai o título do disco. Este último tema foi musicado pelo lendário músico espanhol Patxi Andión, cantando-o também, em dueto e em castelhano, com Ana. Destaque ainda para a participação de Tim Ries, o saxofonista dos Rolling Stones, que compôs a música de "Velho Anjo" e toca saxofone no tema "A Sós Com a Noite". Jorge Fernando é, mais uma vez, o produtor musical do disco, sendo também o autor/compositor de alguns temas. Ana Moura gravou com Custódio Castelo na guitarra portuguesa (o guitarrista também assina algumas músicas do álbum), Filipe Larson no viola-baixo e Jorge Fernando na viola.
Não há outra voz no fado como a de Ana Moura. Uma voz que se passeia pela tradição livremente, sem deixar de flirtar elegantemente com a música pop, alargando de uma forma muito pessoal o raio de acção da canção de Lisboa. Mas aquilo que a distingue é não apenas um timbre grave e sensual como há poucos -- Ana Moura transforma instantaneamente em fado qualquer melodia a que encoste a sua voz. É um rastilho imediato, uma explosão emocional disparada sem contemplações ao coração de quem a ouve.
Um fado com mundo
Não há outra voz no fado como a de Ana Moura. Uma voz que se passeia pela tradição livremente, sem deixar de flirtar elegantemente com a música pop, alargando de uma forma muito pessoal o raio de acção da canção de Lisboa. Mas a...