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(3)



(Rita Costa & André L. Soares)
.
Eu quis ser tantas coisas
-- ou ao menos, mais que isso --
ir muito além de esposa...
criar...
meus próprios paraísos.
Só não sabia que as escolhas
implicavam em sacrifícios
e vícios tamanhos...
O que eu faço agora...
se essa vida contrasta
com a imensidão dos sonhos?
Na verdade, venho há tempos...
exilando-os em mim mesma,
sobrevivendo de aparências,
presa ao marasmo do cotidiano...
tenho então, evitado conflitos
-- na voz passiva --
e como um barco de desejos à deriva...
apenas prossigo.
Mas qualquer hora dessas
eu renasço...
saio sozinha, ganho a rua,
deixo tudo para trás,
em busca da alegria.
Não será sempre assim...
dia desses, crio coragem,
quem sabe até me mando,
assumo outra identidade...
Certo é que... não será hoje!
-- tomara, não seja tarde... --
Só não me pergunte... 'quando'...
.
.
.
(Rita Costa & André L. Soares)
.
Ver-te aqui, nessas horas...
de palavras sentidas, sem alarde,
em que transcendes a poesia...
é ter nos olhos refletido
o sereno transparente da aurora.
Vertes em mim,... inconsciente,
toda a alma em verdades
que transpassam pela pele,...
revelando fragmentos
que até então desconhecias.
Enfim,... invertidos os prismas,
busco, no oculto de tua lágrima
-- delatora a descer sobre os relevos --,
o umbral que me leve aos rituais
de intuições e de segredos.
Assim,... verso a delicada semente,
subscrevendo em silêncio
cada verbo dos gestos que vi
florescer, em mais um dia,
pela essência dos sorrisos.
.
.
.
(Rita Costa & André L. Soares)
.
Convém camuflar
nas profundezas da alma
as palavras mais puras.
Fixar o olhar na areia macia
onde, a todo instante,
a espuma branca faz carícias.
Melhor seja que a brisa
-- mistura de sal e maresia --
castigue os lábios em sorriso,
carregando pro mar
o mais leve sussurro,
pairando sobre as ondulações
as palavras proibidas.
Sendo assim,...
que só as aves marinhas
decifrem a poesia que existe
quando minhas lembranças,
façam aflorar dos sentidos
os desejos mais além...
mergulhando-as em sonhos,
no abissal das emoções...
como convém!
.
.
.