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From: jeffcausador
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  • Brasília: esquizofrenia arquitetônica

    Demência precoce, a qual, segundo Bleuler, seria um deslocamento ou figuração das

    funções psíquicas. Foi essa a doença que assolou Lucio Costa, o idealizador de Brasília

    e o inexperiente executor do projeto Oscar Niemeyer. Ao aceitar os desafio da técnica e da máquina,

    arquitetos como eles e Lê Combusier riscaram o Brasil em pranchetas francesas, ambos pagos com dinheiro do povo.

  • Jeremy Bentham em Panoption (1791) pensa resolver problemas relacionados à disciplina

    da prisão e ele diz, de todas as coletividades onde existem problemas de fiscalização

    por um simples projeto arquitetônico o inspetor vê sem ser visto.[1] É através dessa

    frase que traço paralelo entre o contexto histórico nacional e a formação do espaço

    industrial na França.

  • De maneira a compor a insanidade e o desproposito da criação donde, o subterfúgio usado, era a ordem do progresso modernista.

    Nascida alguns anos antes do golpe militar brasileiro, a cidade racionalizada brotou do

    centro oeste como uma flor mecânica, em 18% de umidade relativa do ar.

  • Composta por linhas

    rápidas a formar grandes espaços que valorizassem o padrão, impelindo, assim, qualquer

    desabrochar de especificidade nacional, Brasília, nasce seguindo a linha de produção e

    sob os moldes dos galpões do inicio da revolução industrial francesa. Galpões que em seus primórdios regem três princípios de organização espacial: o político, o técnico e a

    vigilância de idas e vindas das pessoas e mercadorias.

  • Por uma questão , entre outras, geopolíticas a capital do Brasil é deslocada do Rio de

    Janeiro para o centro oeste do território nacional. O período histórico do qual é realizada tal transição consiste na base da industrialização da região sudeste,

    sobretudo. Quando cito a região sudeste refiro-me a basicamente a duas cidades: são Paulo e Rio de Janeiro, ambas incomparáveis a qualquer cidade de um pais desenvolvido,

    àquela época.

  • Seja por quantidade de produção ou pela maneira de como é reduzido tais produtos. Vale ressaltar que o período se enquadra desde a campanha política de JK com

    seu slogan de campanha Brasil, 50 anos em 5 junto com a chegada a primeira montadora de automóveis. Que como o próprio nome diz não produz, apenas monta. Se a produção de riqueza, segundo Karl Marx, esta na quantidade de trabalho agregado á matéria, a

    industria brasileira na segunda metade do século XX é uma piada.

  • Portanto, relacionar linhas modernistas da capital do pais, com sua base nos galpões

    da industria francesa do século XIX, à industrialização e desenvolvimento da nação vemos que esta fora de cogitação, uma vez que nosso produto em pauta de exportação aquela época ainda estava fincado no setor primário.

  • Assim , excluímos a primeira possibilidade

    de respaldo à identificação nacional. O que existia era uma intencionalidade de progresso positivista, atrelado ao desenvolvimento industrial que beneficiaria a recém formada classe média brasileira. Ambos, mais tarde constatada, a chaga de um período histórico.

  • A industria fomentada por capital estrangeiro, atrasando assim a concepção que temos

    hoje de desenvolvimento auto-sustentável e a formação dessa classe que, sobretudo,

    conservadora se entupia de bossa-nova, enquanto comprava eletrodomésticos deixando que

    os militares matassem e censurassem aqueles que não se contentavam com a chegada da

    televisão.

  • A marcha de Deus e a família possibilitou a subida do militarismo ao poder. Quando a classe média percebeu o feito já era tarde e, com isso, foi obrigada a amargar longos anos de ditadura.

    A segunda desmistificação que busco constatar se dá ao fato do deslocamento executivo, judiciário e administrativo do poder.

  • Instalada no centro do país, o local que por si só concentra dificuldades de locomoção, uma vez sabido que todo o desenvolvimento de

    transporte, após campanha de industrialização é passado por linhas de rodovias que

    sustenta a campanha de desenvolvimento automobilístico. Deixando longe dos olhos do

    povo qualquer tipo de possíveis contestações que interfira no processo político. O que

    dificulta a intervenção direta no processo democrático.

  • Enquanto fabricas eram ocupadas por famílias inteiras que trabalhavam com seus próprios

    instrumentos de trabalho, Brasília seguia não so os mesmos passos da arquitetura, mas com

    o nepotismo tão corriqueiro ainda em nossos dias. Lá, explorados integralmente pelo

    sistema de produção que fazia dos pais tiranos de seus próprios filhos. Aqui, os bem-aventurados parasitas exploradores de uma nação.

  • É assim, portanto, que a frase

    citada de Jeremy Bentham faz todo o sentido, entretanto, como a esquizofrenia dos

    arquitetos, tal frase é aplicada no sentido contrário. Se o projeto arquitetônico propõe

    a inspeção aos inspecionados como finalidade de melhorar essa função, na capital do país

    o projeto arquitetônico dificulta o dever de qualquer cidadão.

  • Seja por uma questão de

    deslocamento espacial, que deixa o centro de decisões políticas longe da massa, seja por regras de indumentárias, das quais obriga um povo que até então era tido como

    o país dos banguelas a usarem calças para adentrar em um espaço dito democrático, ou

    ainda, na forma planejada da cidade que possibilita, como o único ponto de aglomeração,

    a rodoviária.

  • O povo, desde sua construção, nunca ocupou outra posição senão a periférica. Enquanto conjuntos habitacionais eram construídos por milhares de trabalhadores vindos,

    em sua maioria, do nordeste do país burocratas desfrutavam da maravilha moderna construída para poucos.

  • Por fim, o principio técnico que facilitava a circulação da matéria-prima entre as oficinas de processamento foi facilitada pelo inicio da racionalização do espaço.

    A industria têxtil francesa tomava as diretrizes do que mais tarde seria quesito

    fundamental em qualquer espaço produtivo da industria moderna.

  • Enquanto o plano diretor da cidade de Brasília tomava, como fundamento, a ordem de construir a partir da

    racionalização para se produzir mais rápido e em larga escala. Aqui há a divergência de períodos distintos, mas que segue a linha de produção sob o mesmo aspecto:

    viabilidade da produção máxima.

    Se Brasília tivesse sido construída com respaldos nacionais teríamos no lugar do palácio do planalto uma grande oca que estaria sempre aberta às discussões desse povo.

  • E àqueles que divergem da linha de raciocínio traçada para unir as duas construções,

    usando como respaldo teórico o suporte. Podendo citar até mesmo que há um deslocamento

    em tempo absurdo desde a criação do cimento, o concreto. Peço que visitem um modernista que ultrapassou a simples blasfêmia de que a idéia estava vinculada ao material exposto

    junto a ela.

  • A idéia, quando libertária, não se prende em côncavo e convexo, pode estar em um bidê.

    [1] Jeremy Bentham, Lê Panoptique ou I´Oeil du pouvoir, Paris, Belfond, 1977, com um

    prefácio de Michel Foucault.

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