Ricardo, todos os contratualistas, e rousseau é um deles, são extremamente irônicos em relação à propriedade privada e ao contrato social, de modo que se estivessem vivos, diriam a nós "eu avisei que isso num ia dar certo"
Nanda, é isso mesmo; só que cada filósofo aborda de uma forma. Rousseau considera como real o natural, o não jurídico que ele chama de ferros, prisão social
Quando você diz que é uma contraposição entre o mundo das ideias e o da razão, entre o ideal e o real, seria uma comparação à filosofia de Platão, nesse sentido?
Sim caro elvis, vejo muita ironia em Rousseau, ao dizer que a sociedadeánula o estado naturl do homem, o prende e corrompe. Obrigado por seu comentário.
Gosto muito dos escritos de Rousseau, especialmente com relação ao uso da propriedade, o que é objeto de uma discussão ainda incompleta (muitas escolas marxistas querem fazer de Rousseau um socialista) sobre os limites de seu uso. Adaptando à nossa realidade e comparando com a de outros países, sempre haverá, em qualquer organização social, um controle do uso da propriedade, que pode ser total pelo Estado, como pode ser parcial. É uma peça fundamental de regulagem do mercado.
Controlando o uso da propriedade, controlaria-se, a esses autores, a possibilidade de surgimento de um ente antidemocrático, que destruísse as instituições ou as aparelhasse. Na prática, esse controle já existia quando da Revolução Francesa e, na Revolução Russa, um tipo pior de ente antidemocrático surge, subvertendo a liberdade e utilizando esse mecanismo para perpetuar-se, controlando a economia a seus fins políticos.
Creio que depois da práxis dos movimentos socialistas...
Rousseau volta a ser de extrema conveniência ao debate, uma vez que as concepções de certos movimentos (MST é um deles) fazem um uso distorcido de seus textos, dando ênfase apenas à análise da dimensão da propriedade na alienação das gerações, dos indivíduos ao trabalho para outros indivíduos, negligenciando, assim, as considerações sobre a limitação de seu uso diante do Estado de Direito e do Contrato Social, o que, de fato, o isenta de ser um "socialista".
Por fim, se fôssemos pensar a partir disso (nenhum pensador conseguirá esgotar os termos da discussão, que se atualizam com a História), talvez, deixaríamos de ver a propriedade como necessariamente associada a subversão da liberdade, mas como um agente potencializador das conquistas mais essenciais ao Estado de Direito (a começar pelas econômicas, a supressão da miséria pela produtividade que, por exemplo, Lenin buscou na NEP).
Abandonando isso, pode-se ver o 'direito ao trabalho', como centro da relação de exploração e empobrecimento. A garantia de trabalho, em oposição ao direito dele, lacunar mas propositadamente indispensável à classe gerente, parece só ter sido mais recentemente explorada.
Obviamente, a propriedade também significa, quando de sua concentração, a exclusão do direito ao trabalho - de bilhões de pessoas.
Adiante, se a propriedade é um dos centros de discussão de uma sociedade que promova a liberdade, talvez seja justamente abandonando os extremos empobrecedores do debate (privado ou estatal), que se possa vislumbrar sua garantia de trabalho a todos, bem como sua possibilidade de produtividade aos que podem fazer dela - objeto de avanço sobre a sempre presente possibilidade da escassez coletiva que amaldiçoou todos os países capitalistas de estado ou chamado Socialismo Real.
Abandonar esses extremos no trato da propriedade e centrar o foco no seu uso como garantia de trabalho e possibilidade de desenvolvimento de seu uso (por uso livre - particular) traz novas e novas discussões, mas ao certo, também propõe alternativa a não-exploração do trabalho (objeto central da crítica marxista). E a idéia de reabrir o debate sobre ela faltamente nos leva à Rousseau e sua obra.
O senhor tirou essa fala de algum texto ?! Gostaria e obte-lo
lullyproos 3 months ago
@lullyproos
compilações e anotações de aula
gilsonprof 3 months ago
Olá gilson, sobre a propriedade, Locke afirma que o homem deve trabalhar para ter direito à propriedade, em Rousseau é o mesmo?
ricardlouro 6 months ago
@ricardlouro
Ricardo, todos os contratualistas, e rousseau é um deles, são extremamente irônicos em relação à propriedade privada e ao contrato social, de modo que se estivessem vivos, diriam a nós "eu avisei que isso num ia dar certo"
gilsonprof 6 months ago
Nanda, é isso mesmo; só que cada filósofo aborda de uma forma. Rousseau considera como real o natural, o não jurídico que ele chama de ferros, prisão social
gilsonprof 1 year ago
Quando você diz que é uma contraposição entre o mundo das ideias e o da razão, entre o ideal e o real, seria uma comparação à filosofia de Platão, nesse sentido?
Obrigada pelo vídeo : )
NandaCalvetti 1 year ago
Viva a reforma agrária!
MinaVanner 1 year ago
Sim caro elvis, vejo muita ironia em Rousseau, ao dizer que a sociedadeánula o estado naturl do homem, o prende e corrompe. Obrigado por seu comentário.
gilsonprof 1 year ago
Gosto muito dos escritos de Rousseau, especialmente com relação ao uso da propriedade, o que é objeto de uma discussão ainda incompleta (muitas escolas marxistas querem fazer de Rousseau um socialista) sobre os limites de seu uso. Adaptando à nossa realidade e comparando com a de outros países, sempre haverá, em qualquer organização social, um controle do uso da propriedade, que pode ser total pelo Estado, como pode ser parcial. É uma peça fundamental de regulagem do mercado.
ElvisTrivelin 1 year ago
Controlando o uso da propriedade, controlaria-se, a esses autores, a possibilidade de surgimento de um ente antidemocrático, que destruísse as instituições ou as aparelhasse. Na prática, esse controle já existia quando da Revolução Francesa e, na Revolução Russa, um tipo pior de ente antidemocrático surge, subvertendo a liberdade e utilizando esse mecanismo para perpetuar-se, controlando a economia a seus fins políticos.
Creio que depois da práxis dos movimentos socialistas...
ElvisTrivelin 1 year ago
Rousseau volta a ser de extrema conveniência ao debate, uma vez que as concepções de certos movimentos (MST é um deles) fazem um uso distorcido de seus textos, dando ênfase apenas à análise da dimensão da propriedade na alienação das gerações, dos indivíduos ao trabalho para outros indivíduos, negligenciando, assim, as considerações sobre a limitação de seu uso diante do Estado de Direito e do Contrato Social, o que, de fato, o isenta de ser um "socialista".
ElvisTrivelin 1 year ago
Por fim, se fôssemos pensar a partir disso (nenhum pensador conseguirá esgotar os termos da discussão, que se atualizam com a História), talvez, deixaríamos de ver a propriedade como necessariamente associada a subversão da liberdade, mas como um agente potencializador das conquistas mais essenciais ao Estado de Direito (a começar pelas econômicas, a supressão da miséria pela produtividade que, por exemplo, Lenin buscou na NEP).
ElvisTrivelin 1 year ago
Abandonando isso, pode-se ver o 'direito ao trabalho', como centro da relação de exploração e empobrecimento. A garantia de trabalho, em oposição ao direito dele, lacunar mas propositadamente indispensável à classe gerente, parece só ter sido mais recentemente explorada.
Obviamente, a propriedade também significa, quando de sua concentração, a exclusão do direito ao trabalho - de bilhões de pessoas.
ElvisTrivelin 1 year ago
Adiante, se a propriedade é um dos centros de discussão de uma sociedade que promova a liberdade, talvez seja justamente abandonando os extremos empobrecedores do debate (privado ou estatal), que se possa vislumbrar sua garantia de trabalho a todos, bem como sua possibilidade de produtividade aos que podem fazer dela - objeto de avanço sobre a sempre presente possibilidade da escassez coletiva que amaldiçoou todos os países capitalistas de estado ou chamado Socialismo Real.
ElvisTrivelin 1 year ago
Abandonar esses extremos no trato da propriedade e centrar o foco no seu uso como garantia de trabalho e possibilidade de desenvolvimento de seu uso (por uso livre - particular) traz novas e novas discussões, mas ao certo, também propõe alternativa a não-exploração do trabalho (objeto central da crítica marxista). E a idéia de reabrir o debate sobre ela faltamente nos leva à Rousseau e sua obra.
ElvisTrivelin 1 year ago